PREFÁCIO

Quando me separei, em 2005, minha filha tinha apenas um ano e meio. As primeiras postagens falam mais do processo de reconstruir a vida, tanto a vida pessoal quanto a vida de aprendiz de pai sem a presença da mãe. Agora, compartilho algumas descobertas, incertezas, dúvidas e aventuras que aparecem pelo caminho de nós dois. E a cada dia vejo que sou muito sortudo de ter a companhia que tenho.

Bem vindos ao manual do pai solteiro !

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

SER OU NÃO SER













Há aquela velha discussão sobre se os fins justificam ou não os meios. No caso do casamento (ou morar junto) eu tenho uma certeza: os inícios justificam os fins. O começo de um relacionamento que evolui para a gente tomar coragem de querer morar junto tem que ser bom demais. Excitante, mágico, complementar, de sonho. Pra justificar todo aquele sofrimento do término. Que virá, mais cedo ou mais tarde. Gente que já passou por dois pensa assim.

Estou vindo com esse assunto depois de uma conversa que participei com um grupo de amigos. De um lado, os recém solteiros, cheios de convicções de que nunca mais vão juntar seus trapos com ninguém. Do outro, de que eu fazia parte, os solteiros já sem mágoas, com a memória do término esvanecida pelo tempo, e por isso mais resolvidos com a possibilidade. A gente, do segundo grupo, há poucos anos atrás fazia parte do primeiro. E eles sabiam disso. Nós também sabíamos que todos os recém solteiros são radicais e que depois de algum tempo iriam passar para o segundo grupo. Foi bem engraçado. Mas numa coisa fechamos. Ninguém segura a ideologia da solteirice depois que encontra alguém especial e consegue enxergar isso. Se o carisma se estende por meses, anos, e se a vontade de ficar junto persiste, podemos até ir com o pé atrás, mas vamos, felizes da vida. E que venham as alegrias e dificuldades dessa utopia.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

DICA LITERÁRIA: CLUBE DO FILME

Resenha da VEJA:
"O escritor David Gilmour deixou seu filho largar os estudos quando ele tinha 15 anos. Com uma condição: ver os filmes que o pai escolhesse. Foi de fato um aprendizado - para ambos"

LINK PARA A MATÉRIA

Eu li e adorei. E ainda dá pra usar o livro como um guia de filmes.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

CALÇA JUSTA




















"Por que os pais da Marina moram juntos e você e mamãe não papai?"
"Se o neném sai da perereca por onde ele entra?"
"As pessoas vão pra onde depois que morrem?"
"Como chama o lugar depois das estrelas?"
"Por que tem pessoas pobres? Elas não sabem rezar?"

Por mais que eu tenha a pretensão de ser um pai antenado, moderno e gostar de conversar e responder as perguntas de minha filha eu me enrolo todo de vez em quando. Sexo e religião são os piores. Tento discutir com a mãe dela algumas conceitos. Mas na hora mesmo da pergunta, eu, que odeio mentir pra pequena, fico sem saber se devo discorrer tão cedo por questões tão complexas, que quase não permitem uma explicação simplificada mas verdadeira. Eu dou umas voltas e ela acaba se dando por satisfeita. Minha geração foi muito mais precoce que a dos meus pais e assim é a geração da Ava comparada à minha. Mas apesar de saberem tanta coisa, será que estarão realmente preparadas psicologicamente para tanta informação? Ó dúvida cruel.

Uma amiga minha, mãe de um casal, questionada sobre o que seria sexo oral e sexo anal pela filha, com 9 anos, saiu com essa:

- Sexo oral é o que se faz de hora em hora e sexo anal o que se faz de ano em ano.

Brilhante!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

FIM DE FÉRIAS

Chegamos em BH exauridos mas felizes. Ava já está com a mamãe. Segunda já tem aula. Não tivemos nada a não ser alguns arranhões e picadas. Foram dias inesquecíveis pra mim. Tomara que pra ela também. Que saudade eu já sinto da Bahia. Mas é delicioso chegar em casa. Que venha 2010.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

DIARIO DE VIAGEM III












Nono dia

Acordamos bem cedo. Uma pequena viagem de barco nos aguarda. Araripe. Um recife de coral que na maré baixa abriga um maravilhoso aquário natural. Uma hora e pouco mar adentro. Ava, que só conhecia os botes e chatas de rio, adorou. Vimos uma revoada de gaivotas, umas 100, voando baixinho para capturarem seu almoço. Quando chegamos, vi que o passeio não seria fácil. Andamos pelo menos uns 500 metros em cima de recifes de corais muito irregulares e escorregadios. Ava, que viu na TV o caso de uma menina que pisou num ouriço do mar, ficou morrendo de medo de pisar em um também. Muita choradeira depois, chegamos. O nosso timoneiro, Carlindo, emprestou pra todos máscaras de mergulho com snorkel. A pequena pegou rápido o jeito de respirar pela boca com o canudo. Nadamos juntos, vendo peixes lindos, corais de formas malucas, siris, tartarugas. Eu nunca tinha feito um mergulho tão legal, com tanta diversidade. Uma hora depois, na volta, o mesmo chororô. Eu e ela apagamos no barco e só acordamos quando já estávamos chegando de volta à Ponta de Santo André. Almoçamos, siestamos, tentamos ver a festa de Iemanjá, mas a pequena tava mais interessada em competir com uma amiguinha daqui quem subia mais rápido na castanheira.

Décimo dia

Já estamos cansados da viagem. Amanhã vamos embora. Ava ficou desenhando a manhã inteira enquanto eu tentava, em vão, uma conexão com a internet para mandar meus trabalhos. Nadamos um pouco no rio e ficamos em casa o resto do tempo. À noite ficamos vendo estrelas. Disse o nome das constelações que eu conhecia e inventamos outras tantas. Por mais que já tenha me acostumado em ser pai, de vez em quando eu fico comovido com certos momentos. Conviver com crianças, além de tudo mais, faz algumas lembranças voltarem intocadas de lugares profundos da memória. E nos faz virar os cicerones do universo.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

DIÁRIO DE VIAGEM II












Sétimo dia

Hoje foi tudo lindo, como zune um novo sedã, já dizia o Patu Fu. O dia estava lindo e bem quente, mais do que todos. Pouco entramos no mar por conta da maré alta. A lua foi a grande estrela da noite. (desculpem, não resisti). Ela estava maravilhosa e imensa. Teve apresentação de uma palhaça na "pracinha" da cidade que a pequena amou. Depois fomos dançar forró, eu e ela. Eu bem que tentei dar umas paqueradas, chamar umas moças pra dançar, mas a pequena não deixou. Pior que namorada ciumenta.

Oitavo dia

Entramos no ritmo da Bahia. Acordamos cedo, tomamos café, fui ao cybercafé mandar umas gravações e depois praia. O mar muito agitado e o rio muito alto. Estou ensinando a pequena a nadar e ela já nada alguns metros sem bóia. Aqui é ótimo pra pegar jacaré e ela também quer aprender, mas as ondas são grandes pra ela. Melhor sair e arrumar outra coisa pra fazer. Nossa mesa vira um atelier. Lápis de cor, canetinhas e guache. Fizemos várias marinas e alguns retratos de desconhecidos. Ava tem o dom do desenho. Mas vida de artista é tão dura que eu realmente preferia que ela fosse outra coisa. Aquela velha história. Mas fico orgulhoso, claro. Ela não quis almoçar, não teve jeito, mas comeu um tomate inteiro. Depois uma siesta que foi das 5 as 7 e saímos pra ver a lua nascer. Quem falou que Ava teve paciência? Eu disse “papai te levou pra tantos lugares, petita, eu só to pedindo pra voce esperar um pouco. Você vai gostar também”. “To com dor de barriga de fome, papai” . Levantamos na hora e fomos comer uma pizza.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

DIARIO DE VIAGEM II

Hoje foi tudo lindo, como zune um novo sedã, já dizia o Patu Fu. O dia foi tranquilo. Pouco entramos no mar por conta da maré e da lua cheia. A lua foi a grande estrela da noite. (desculpem, não resisti). Ela estava maravilhosa e imensa. Teve apresentação de uma palhaça na "pracinha" da cidade" que a pequena amou e depois fomos dançar forró, eu e ela.