terça-feira, 20 de abril de 2010

LUNA, AVA E EU


Onipresente, onisciente e onívora. Nossa cachorrinha, Luna, uma shitsu carinhosa e tranqüila, está sempre ao nosso lado, sabe minutos antes quando alguma pessoa irá chegar em nossa casa ou se vamos sair, e come tudo que cai no chão. Desde que mudamos para um apartamento com área a Luna está conosco. Chegou já com nome e com um ano de idade, presente de um primo que se separou e não queria uma lembrança tão viva do extinto casamento. Ela é a amiguinha de Ava e minha companhia quando estou sozinho e carente. Não late, só quando eu digo a palavra “passear” e é linda. Foi pura sorte. Essa raça é uma benção. Já comentei que minha filha faz dela gato e sapato e ela nunca nem rosnou. Mas ultimamente tenho usado a Luna para fazer Ava entender que os animais merecem respeito como os humanos. Que eles também tem sua dignidade e que devemos cuidar de sua integridade principalmente quando nos dispomos a adotá-los. E que da mesma forma que as crianças, precisamos educá-los com carinho e amor. Mesmo que ela tenha comido a cabeça da boneca nova ou a capa de um disco antigo do Frank Sinatra. Mesmo que seja a maior devoradora de preservativos e meias. A culpa é nossa por deixarmos coisas ao alcance dela. Nossa cachorrinha faz nossa vida melhor. Luna, Ava e eu somos uma família feliz.

terça-feira, 6 de abril de 2010

COLUNA PARA A REVISTA GLOSS 31 - ABRIL DE 2010

Eu e Ava estamos na revista Gloss de abril, capa da Isabeli Fontana, a convite de Sandra Soares, editora de comportamento. Fiquei superfeliz com o convite. Espero que gostem.


“Homens morrem crianças, mulheres nascem adultas”.

por Aggeo Simões

Esse aí em cima é o título do livro de auto-ajuda que eu, infelizmente, nunca vou escrever. Me veio à cabeça quando minha filha começou a dar banho, comidinha e beijos de boa noite em suas bonecas. De vez em quando a Luna, nossa cachorrinha, entra na dança. Se não fosse pela sua índole de monja tibetana, a coitada já tinha fugido há tempos.

Pois é, o que leva as meninas a brincarem tão cedo com sérias e trabalhosas obrigações futuras? Eu sei que hoje é meio démodé ficar evidenciando contrastes entre homens e mulheres, que é legal agora sermos como as ideologias políticas contemporâneas: sutilmente diferentes. Mas na infância essa diferença é gritante. Século XXI, e minha filha brinca de princesa-mamãe. Não nego que haja uma modernidade aí, porque o príncipe nem é mencionado.

Instinto. Como uma leoazinha que brinca de caçar, mulheres exercitam desde crianças a maternidade, tornando as coisas mais fáceis quando efetivamente viram mães. E tem outra. Eu, como pai solteiro, fico sempre impressionado com o sexto sentido materno, esse software nativo feminino que facilita demais a vida de vocês. Já vi uma mãe descolar os olhos de seu livro apenas um segundo antes do filho fazer uma besteira e conseguir alertá-lo, outra que desconfiou de uma babá só de olhar pra ela e depois descobriu que a moça tinha ficha mais suja que fralda usada, e ainda outra que acordou no meio da noite sem motivo, foi ao quarto de seu filho e encontrou-o ardendo em febre. Se vendessem o elixir do sexto sentido em farmácia acho que eu o compraria mais do que remédio pra nascer cabelo, se existisse também.

Essa falta de especialização não exime o pai de sua presença e responsabilidade, mas torna a tarefa mais trabalhosa pra nós. Enquanto eu e minha filha estivemos na praia, não consegui ler nem vinte páginas de um dos livros que levei, tinha que ficar alerta o tempo todo pra garantir que ela estivesse bem. Não tenho essa autoconfiança natural das mães. Claro que se eu tivesse esse “sexto sentido” bem aguçado também tentaria usá-lo em tarefas menos nobres como aplicar na Bolsa ou jogar na loteria. Mas uma parte da grana que eu ganhasse iria pra conta-poupança da minha pequena, juro.

domingo, 4 de abril de 2010

COMO NOSSOS PAIS?

Somos melhores pais que nossos pais. E nossos filhos serão melhores pais que nós, eu suponho. Não há problema em constatar que nossa percepção sobre os sentimentos das crianças e nossa preocupação com sua educação informativa e sentimental também evoluiu. As opiniões de avós, pais, parentes e amigos em faixas etárias mais avançadas não devem ser desconsideradas de cara, mas devem passar por nossa peneira antes de as tomarmos como verdade. Os parâmetros mudam. E isso sem desrespeito e sem que precisemos entrar em conflito com a geração que nos criou.

Lembro-me que no auge de alguns conflitos emocionais, lá pelos meus 12 anos, vi um cartoon na revista MAD, de um artista que sempre me influenciou muito, Al Jaffee, que dizia: Ser rico é: encontrar pelo menos um adulto que não te trata como uma criança idiota. E lá estava na ilustração uma menininha deitada em um divã, conversando com seu analista. Morri de inveja dela. Isso no final dos anos setenta. Hoje ninguém precisa ser rico para pagar um analista para sua criança e mesmo os mais leigos sabem considerar as opiniões e os conflitos dos pequenos. A cada dia a gente os trata como sempre quis ser tratado quando criança, quebrando um ciclo perverso que fazia com que os adultos repetissem, quando pais, abusos e desleixos sofridos por eles na infância. Certos questionamentos meus quando criança eram tratados como “invenção de moda” ou “chifre na cabeça de cavalo”, por mais importantes que fossem esses assuntos para mim.

A gente tem que distinguir os conceitos datados dos que ainda estão valendo. E isso é um mérito dos nossos pais por terem nos dado a capacidade de desenvolvermos esse discernimento. E nossos filhos irão com certeza agradecer por isso.

SOMOS O QUE SOMOS

Acho que ser homem, pai, marido, adulto do sexo masculino já foi mais fácil, mas não tinha graça. Confinados em seus clubes, escritórios, s...