PREFÁCIO

Quando me separei, em 2005, minha filha tinha apenas um ano e meio. As primeiras postagens falam mais do processo de reconstruir a vida, tanto a vida pessoal quanto a vida de aprendiz de pai sem a presença da mãe. Agora, compartilho algumas descobertas, incertezas, dúvidas e aventuras que aparecem pelo caminho de nós dois. E a cada dia vejo que sou muito sortudo de ter a companhia que tenho.

Bem vindos ao manual do pai solteiro !

quinta-feira, 31 de março de 2011

PORQUE NÃO SE SEPARAR DOS FILHOS


Na primeira infância, até os 6, 7 anos (quando a criança forma muito de sua personalidade), quanto mais você convive com ela, mais influência ela vai ter do que você acha legal em você: Seja seu gosto musical, seu caráter, sua seriedade no trabalho, seus valores humanitários, sua paixão por esportes, por viagens, seja o que for. Quem não quer passar o que tem de melhor para os filhos? E esses pontos de contato com eles vão ser importantíssimos na adolescência.

O pai que convive com os filhos não sente aquele ciuminho da convivência deles com o namorado ou marido da mãe deles. O papel de pai já é seu e você corre menos risco de seus filhos aparecerem com a camisa daquele time que você odeia.

Essa convivência e o diálogo constantes são bons pra todo mundo: Pro pai, porque ganha cumplicidade com o filho e autonomia pra criar, educar, cobrar, não só pra divertir a criança no fim de semana. Pra criança, porque convive com o pai e com a mãe e sente o amor e a presença dos dois. E, igual num lar onde pai e mãe moram juntos, a criança tem a opinião dos dois no dia a dia. Isso é ótimo mesmo que eles discordem porque quase tudo na vida tem mais de uma abordagem, tem mais de um lado. E também é bom pra a mãe, porque ela tem tempo pra ficar com a criança e também pra trabalhar, se divertir, que ninguém é de ferro. E por aí vai. Pra quem trabalha em horário incompatível, ou mora muito longe, vale contar uma história pra dormir ou até ajudar no para casa via webcam, por que não?

segunda-feira, 21 de março de 2011

NOVA ESCOLA, NOVO TUDO


Sempre acho estranho quando ouço pais reclamando de deveres de casa extensos e do tempo que perdem orientando os filhos a fazê-los. Claro que existem exageros, tipo escolas que já embutem nas crianças de sete anos preocupação com vestibular. Mas no geral, os professores dão os “para casas” que julgam necessários para que a matéria seja assimilada. Em reunião de pais eu ouvi o absurdo de um casal que dizia que pagava caro à escola exatamente para que o filho não precisasse que eles o educassem em casa. O garoto em questão não fazia nada se os pais não se sentassem ao lado dele. Não o culpo. Provavelmente era a hora em que ele tinha argumentos irrefutáveis para forçar a convivência e o diálogo com os pais. Sem paciência não se cria filho e achar que escola educa é um erro grosseiro. Ela informa. Quem educa somos nós. Mas, em algum momento, é normal praguejarmos por conta de uma importante reunião de escola incompatível com nossos horários de trabalho, ou de um dever que nem nós sabemos fazer.

Minha filha mudou de escola esse ano. Perguntando à ela o que estava achando da nova escola, vieram informações interessantes à respeito da professora, do espaço, da convivência com os colegas, da hora do recreio, do lanche, das aulas de arte. Tudo ali, tim tim por tim tim. Uma visão às vezes engraçada, às vezes curiosa sobre a nova escola. Marquei uma reunião para tirar algumas dúvidas. Feito isso, conversei com ela. Eu acredito na minha filha desconfiando. Ela não mente compulsivamente, mas crianças normalmente mentem para facilitar sua vida. Nesse papo vieram à tona mais algumas indagações e inevitáveis comparações com a escola antiga. Nostalgia em criança tão nova é no mínimo interessante. Ou seja, o que quero dizer com esse post, o primeiro depois de alguns meses de jejum, é que a avaliação da escola é uma coisa dinâmica e o diálogo a respeito da formação intelectual de nossos filhos tem que ser constante. Temos sempre que lembrar que escolas particulares, por mais bem avaliadas que sejam por nós, algumas vezes “agem” como uma típica instituição privada: visando o lucro. As únicas pessoas que passam informação de maneira desinteressada, movida pelo amor somos nós, os pais. Com o resto, temos que ficar de olhos e ouvidos bem abertos o tempo todo. E dá-lhe “para casas”, conversas, reuniões. Às vezes é chato, mas compensa.