quarta-feira, 28 de julho de 2010

SER PAI, SER FILHA



Ser pai de uma menininha é:

. Saber que Barbie é mais sobrenome de boneca do que nome

. Fazer um curso básico de maquiagem

. Entender que a obsessão feminina por roupas e sapatos é inata.

. Saber os diferentes nomes do rosa

. Entender que as mulheres simplesmente não conseguem não seduzir

. Receber beijos carinhosos e abraços apertados sem nenhum motivo

. Começar a misturar as histórias da Branca de Neve e da Bela Adormecida

. Ser careca e ler tudo sobre cabelos cacheados.

. Encontrar bilhetinhos lindos embaixo do travesseiro e adesivos de coração grudados na TV.


Ser menina criada (também) pelo pai é:

. Amar seu time e saber de cor o hino

. Saber usar o computador e o celular desde bem cedo

. Levar revistas em quadrinhos pro banheiro e ficar lá quase meia hora

. Saber se divertir sozinha

. Saber desde sempre que gritar não é a melhor maneira de se comunicar

. Descobrir bem cedo a diferença entre meninos e meninas

. Entender que cerveja é a batata-frita dos adultos

. Não entender porque o pai, sendo careca, tem na gaveta do criado um gel.

. Saber que, existe sim, hora pra bagunça

domingo, 11 de julho de 2010

OS NOMES DO ROSA


"- Quero esse casaco cor de rosa, papai, e essa saia pink. Essa meia rosa choque listrada também. A calcinha da moranguinho e essa blusinha rosa bebê. Não são lindas?"

Ava já tem seis e a onda rosa não acaba, nem ao menos diminui. Eu nunca tive nada contra o rosa. Principalmente o rosa clarinho, bebê. Tenho algumas camisas sociais com essa cor que compõe muito bem com ternos escuros e claros. Mas depois de ser pai de uma menininha passei a ter overdose diária de rosa.

Desde cedo me interesso por misturas de cores. O domínio do universo cromático é importantíssimo para qualquer artista plástico. Daí minha indignação, não com a preferência por uma cor, mas pelo desprezo pelas outras.

Fomos eu e Ava ao shopping comprar roupas de frio essa semana, quando se deu a fala que abre esse post. Depois de discorrer até com certa prolixidade sobre a importância e a utilidade de todas as cores, chegamos a um acordo. Ela iria abrir mão do rosa em metade das roupas. Claro que essas cores alternativas acabaram sendo o roxo, o vermelho, o carmim, o lilás. Mas já era um avanço, pensei eu. Só não contava com sua contra-proposta. Eu teria que comprar algo rosa para mim. E não podia ser rosa bebê, pois eu já tinha.

Topei, achei justo. Para meu alívio estava certo que não iria encontrar nada numa loja masculina que fosse pink ou cor parecida. E assim foi. Ava ficou decepcionada. E de certa forma eu também. Queria cumprir o trato.

No dia seguinte ela se lembrou do cachecol pink que ela ganhou e imediatamente me deu de presente. E não é que ficou bom? Saímos juntos à noite felizes, desfilando nossas roupas e até ganhamos alguns elogios de estranhas. Todas as cores são lindas mesmo.

SOMOS O QUE SOMOS

Acho que ser homem, pai, marido, adulto do sexo masculino já foi mais fácil, mas não tinha graça. Confinados em seus clubes, escritórios, s...