PREFÁCIO

Quando me separei, em 2005, minha filha tinha apenas um ano e meio. As primeiras postagens falam mais do processo de reconstruir a vida, tanto a vida pessoal quanto a vida de aprendiz de pai sem a presença da mãe. Agora, compartilho algumas descobertas, incertezas, dúvidas e aventuras que aparecem pelo caminho de nós dois. E a cada dia vejo que sou muito sortudo de ter a companhia que tenho.

Bem vindos ao manual do pai solteiro !

terça-feira, 21 de julho de 2015

SOMOS O QUE SOMOS

Acho que ser homem, pai, marido, adulto do sexo masculino já foi mais fácil, mas não tinha graça. Confinados em seus clubes, escritórios, saunas, bordéis, reuniões, os antigos maridos chegavam em casa e davam com a prole dormindinha e esposas exaustas. Eles não cozinhavam, não lavavam, não arrumavam, não tomavam conta de filho, mal limpavam o próprio bumbum sozinhos. Totalmente dependentes das esposas, esses caras devem olhar pra gente com admiração. Microondas, lavadoras de roupas e pratos, supermercados cheios de coisas gostosas, diaristas, aspiradores de pó, telepizza e internet ajudaram na nossa revolução, mas o certo mesmo é que as esposas e namoradas fizeram a revolução delas primeiro, deixando de serem donas de casa para serem donas de seus narizes.

Algumas mulheres cujas mães se casaram por amor, em vez de apelarem para arranjos familiares em troca de boa vida, acabaram deixando de se casar, elas mesmas, por amor. É a eterna dicotomia, amor/dinheiro. Tomara que esse retrocesso não nos atinja. Viva a autonomia e a competência emocional masculina.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

DE UM PAI SOLTEIRO PRA OUTRO: LUIS SANDER


Autocaricatura: Luis Sander. Cor e cenário: Ava Melillo
Meu caro amigo Luís,
eu, com minha ingenuidade dos 17 anos, te dei a maior força quando você quis engravidar sua namorada para poderem morar juntos, também aos 17. Depois que o Lucas nasceu a gente viu que as coisas não seriam como aquela balada do Culture Club, Love is love. Mas até que não foi tão difícil assim, né? Você e a Lu ralaram, mas criaram dois lindos e talentosos rapazes. Você foi o primeiro cara da minha idade que eu convivi e que era pai. Isso me fez te admirar mais que antes. Eu nunca vou me esquecer do dia em que nós três, deitados comendo pipoca e vendo Fantástico, naquele apartamento do centro que tinha uma bela vista do viaduto Santa Tereza, nos desesperamos com o rompimento da bolsa da Lu e disparamos pra maternidade como se o Terminator estivesse atrás de nós. Marinheiros de primeira viagem. Muitas emoções.
Me inspiro em algumas de suas brincadeiras com o Lucas pra animar a minha pequena. E em como você usava de todos os seus talentos para fazê-lo rir e te admirar. Antes de todo esse papo de guarda compartilhada, você, depois que virou pai solteiro, tinha uma relação intensa com seus filhos, sempre deu tudo pra eles, do brinquedo mais bacana à palavra mais oportuna. Educação. Bom humor. E música. Muita música.
Se você tá fazendo falta pra nós, amigo, imagine pra eles. Mas fica tranqüilo porque o que você daria seria mais do mesmo que sempre deu. Eles já tem tudo de ti. Cara, inteligência e talento. Você fez um trabalho muito melhor do que a maioria absoluta dos pais. E continuará fazendo por conta do que você deixou na memória dos meninos, que tomara, seja tão boa quanto a sua. De elefante.
Rapaz, quando Ava nasceu você foi a primeira pessoa que eu lembrei, porque depois do nascimento do Lucas eu nunca mais tinha dormido em uma maternidade. Quero ser um pai bacana como você sempre foi. E um ótimo ex-marido também. Tarefa que às vezes é difícil, mas é essencial.
Abraço, queridão, o The Police não vai voltar a tocar junto mais.

MINÚCIAS E MIÇANGAS





















É batata. Faça uma pequena busca nos arredores de sua cama ou do sofá onde você e a moça que acabou de sair da sua casa passaram bons momentos juntos e irá encontrar, no mínimo, um anel. Pulseiras, brincos, passadores são constantes também. Junte-se a isso outras coisas (como preservativos) que podem ter caído debaixo da cama. Nada demais se você morasse sozinho. Mas crianças conseguem achar coisas com a mesma facilidade que conseguem perdê-las. Há brincos que parecem balas (olha você correndo pro pronto-socorro) e todo mundo sabe que camisinhas parecem balões (bleargh). É só passar um pente fino nos arredores, trocar sempre a roupa de cama, checar o banheiro, a cesta de lixo, o tapete, debaixo das almofadas do sofá, embaixo da cama.


Quando estou sozinho em casa fico feliz de poder bagunçar o que eu quiser e ninguém se incomodar ou me encher o saco. Viva a solteirice. Adoro chegar em casa e deixar minha roupa no chão da sala, como se eu tivesse me desintegrado. E lá está tudo no lugarzinho que deixei quando acordo. Mas quando a petita está comigo a coisa é diferente. Daí eu viro um freak, catando tudo o que eu julgo perigoso ou indevido para ela.

Atenção redobrada quando alguém for te visitar. Amigos esquecem um uísque pela metade na mesinha de canto e seu filho pode achar que é chá. Um eletricista por exemplo, deixou um canivete em cima da pia do meu banheiro. Foi por pouco que minha filha não o achou antes de mim. Outro dia a empregada esqueceu um daqueles produtos químicos altamente tóxicos no chão da área, e ele ainda por cima era cor de rosa, a cor predileta da minha filha. A gente tem que ter muita atenção e um pouco de sorte para evitar todos os acidentes possíveis. Pense naquelas plaquinhas que ficam em algumas praias: “Deixe apenas saudades e leve apenas lembranças”.

Agora você não tem outra pessoa para dividir esses cuidados.

PAI SOLTEIRO




















Nada que remeta por analogia àquele quadro triste da mulher abandonada de barrigão ou perdendo a juventude para cuidar sozinha de sua prole. Pra nossa sorte, mulheres quase nunca abandonam seus filhos. Entenda-se “Pai Solteiro” simplesmente ser pai e solteiro. Nada de divorciado e separado. Essas palavras contém muita história. E implicam logo de cara na existência de um outro, de uma outra vida. Solteiro não. É leve como uma pluma. Ser pai solteiro é ser um pai responsável, carinhoso e autônomo e continuar curtindo a vida de solteiro, além de trabalhar, cuidar da casa, orientar a empregada, fazer compras, etc. sem se esquecer que você tem na mãe da criança uma parceira nessa linda e às vezes cansativa tarefa. O que eu percebi nesses quatro anos de pós-separação é que basta saber dividir seu tempo e dar amor a sua criança. Amor é o que elas mais precisam, e esse amor vem em várias formas: atenção, interesse, carinho, disponibilidade, paciência, limite, cuidado. Mas para que a gente esteja em condições de dar conta disso tudo a gente precisa estar bem. Do que adianta encarar essa maratona de afazeres deixando de lado as coisas que a gente gosta? Pois é. Quanto mais felizes com a nossa vida, mais iremos transmitir essa felicidade aos nossos filhos. Ou seja, tomar conta da gente e nos dar atenção também é uma forma de amar nosso filho. Boa desculpa, né? E é a mais pura verdade. Mas atenção. Não devemos ser pais-solteiros, assim com hífen, o que implica nas duas coisas acontecendo juntas. Hora de ser pai, ser pai, hora de ser solteiro, daí é bagunça, festa, paquera, adolescência tardia e por aí vai. Lembre-se "Mulheres nascem adultas, homens morrem crianças".

Fim de casamento é uma das coisas mais sofridas que já vivi. O fato de um não estar feliz faz o outro sofrer muito, mas quando um começa a buscar essa felicidade sozinho ou com pessoas fora do relacionamento, aí é de matar. Independente de qual lado você está, são poucas as pessoas que saem bem de um casamento. Nesse momento não seja exigente contigo. Faça o que der conta, vá com calma, a nuvenzinha negra vai passar. Teoricamente ninguém quer terminar. Se pudéssemos seríamos tão longevos no casamento quanto nossos avós. Mas como todo mundo sabe, ou acaba o tesão, ou o respeito, ou as duas coisas. E não dá pra viver junto muito tempo sem eles. É isso aí. E é pra frente que se anda.

Aqui falo de várias coisas, desde a mudança para um novo lar até dicas culinárias, coisinhas simples é claro, caso você não tenha a menor intimidade com o fogão. Um macarrão com frango desfiado e creme de leite que é adorado por qualquer criança ou até um prato para surpreender a nova namorada: comidinhas para depois de uma comidinha. Tem também dicas de moda, de comportamento, de paquera, de brincadeiras com seus filhos, ou seja, tudo o que você queria saber sobre o melhor dos dois mundos.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

O MANUAL VIROU LIVRO!

O Manual do Pai Solteiro virou livro pela editora Best Seller - Record. Nas melhores livrarias do Brasil.

Muito obrigado a todos que nos acompanharam e continuam com a gente nessa nova fase. Espero que curtam e deem retorno pelo blog. 






Ótimo presente pro dia dos pais!

quarta-feira, 24 de julho de 2013

DICAS DO MANUAL

Homem tem que ter pegada, é o que elas dizem. Nada mais frustrante quando esperam da gente uma atitude e ...nada. Não conseguimos. Não dar conta desses pequenos privilégios masculinos, que inclui matar barata e pagar a conta no primeiro encontro não é lá muito abonador. A historinha abaixo é pra livrar o pai, homem da casa, chefe de família de um comum embaraço.


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Vamos amar


- Papai, você faz sexo?

Parece lugar comum quando a gente ouve de outros, mas quando aconteceu comigo eu perdi o rebolado.  Pensei em mil respostas e me lembrei de uma música. Procurei a dita no youtube e ficamos nós dois ouvindo e rindo desse jazz de Cole Porter (um dos melhores cancioneiros de todos os tempos) com versão de Chico Buarque (idem), na voz dele e da nossa querida Elza Soares. A música foi mote de um diálogo tranquilo sobre sexo, sobre como estamos todos aqui no mundo e até sobre partenogênese, a forma mais sem graça de fazer herdeiros.


domingo, 2 de junho de 2013

TUDO NOVO DE NOVO

Queridos leitores, o Manual está em nova fase. A partir de agora novas postagens sobre uma outra etapa de nossas vidas: A pré-adolescência de minha filha. Essa momento se adiantou; antigamente vinha lá pelos dez, onze anos. A pequena tem nove, mas desde os sete vem achando que sabe tudo. Acha que sabe mais do que eu, do que a mãe, do que os avós, a professora, e todo o mundo. Sexo, autoridade, sociabilidade, importância das matérias dadas na escola, valores, e outros tantos segmentos do conhecimento humano agora estão em xeque. Manter a minha postura de adulto perante essa nova pessoa abastada de certezas dúbias não é fácil. Sou posto a prova todo dia. A segurança conquistada nesses nove anos de paternidade passou a não adiantar muita coisa. É como se uma pessoa diferente aparecesse em minha vida. É quase um recomeço, quando preciso entender e reconhecer essa pessoinha que se desenvolveu, processou todas as informações que lhe foram dadas e agora eclode. Vida própria. Desafio. Bem vindos ao Manual do Pai Solteiro, fase 2: A pré-adolescência.

terça-feira, 8 de maio de 2012

UMA NOITE INESQUECÍVEL


Depois de vários anos sem ir ao inferninho que adorava, ele fica sabendo que o lugar vai ser reinaugurado depois de uma reforma. Sua mulher entrou no seu Facebook, leu mensagens bastante comprometedoras e ele admitiu que apesar de amá-la e de não tê-la traído, tinha compulsões por aventuras virtuais. Foi expulso de casa. Como antigo habitué e velho conhecido dos proprietários conseguiu duas cortesias. Achou que era apenas uma crise e não viu mal algum em aproveitar a oportunidade.  Levou o amigo que estava lhe emprestando o sofá e demorou pra chegar ao balcão. Lotado. A música péssima, as moças não o notavam e a única pessoa conhecida era seu novo estagiário que o cumprimentou com um aceno. Pediu uma cerveja e recebe uma carta com 40 opções. Sorri pra gatinha ao lado que bebe rindo um ice com energético. Ela da um beijo de língua na namorada e lhe mostra o dedo médio. Ouve uma gargalhada do amigo, mas finge que não é com ele. Enquanto tenta ler a carta de premium beer, na penumbra, relutando em sacar os óculos para presbiopia, cogita a possibilidade de estar fora da faixa etária recomendada para o estabelecimento. Finalmente toca uma música que presta, Bed Is Too Big Without You, do The Police. Já com uma stout amargando a língua, vê um homem mais velho que ele beijando uma garota que parecia bastante com sua sobrinha. Lembra que tem que sair pra fumar, sobe a escada, e vê em contra-luz uma silhueta vindo em sua direção. Quando consegue focar vê sua mulher, ruiva e com um vestido azul-esverdeado maravilhoso.

segunda-feira, 26 de março de 2012

CAZUZA PARA CRIANÇAS

"Nossos destinos foram traçados na maternidade"

Toda vez que ouço esse verso eu lembro de minha filha. Adoro cantar essa música pra ela, na íntegra. E como curto várias do saudoso Cazuza, fiz pra ela essa versão de "Faz parte do meu show"


FAZ PARTE DO MEU SHOW (PRA AVA)

Te levo pra escola e encho a sua bola com todo meu amor
Te levo pra festa da sua amiguinha, compro lápis de cor
Faço promessas malucas tão curtas quanto um sonho bom
Se eu te escondo a verdade, baby, é pra te proteger da solidão
Faz parte do meu show, faz parte do meu show, meu amor

Confundo seus cachos com cachos de uva, com cachinhos de flor
Você, minha filha, mudou minha vida, me lembra um beija-flor
Vago na lua deserta dos bares de Belô
Quando a saudade aperta, ligo só para ouvir o seu alô.
Faz parte do meu show, faz parte do meu show, meu amor

segunda-feira, 19 de março de 2012

DÔDI

Ela era uma boa mãe. Interessava-se pelo desempenho do filho na escola, ia a todas as reuniões, se esmerava na elaboração de uma dieta equilibrada e saudável, ia às peças de teatro infantil premiadas, a filmes que não subestimavam a inteligência das crianças e lia todas as noites, para embalar o sono de seu pequeno, livros que eram elogiados e recomendados por pedagogos. A rotina de mãe solteira somente às vezes lhe era pesada. Ela havia eleito aquele menininho como o homem de sua vida e assim seria. Quando estava em algum projeto mais difícil (abandonou o emprego de horário integral para trabalhar como designer free-lancer em casa) ela virava noites, se entupia de café com guaraná, maquiava as olheiras, mas não furtava de seu filho seu tempo e atenção.

O pai da criança morava nos Estados Unidos e era casado com uma americana que, com chantagens emocionais e financeiras, afastou-o definitivamente do filho brasileiro. O caráter duvidoso do pai, sempre atrás de vida fácil, era a desculpa para que Letícia não se amargurasse. O menino era seu orgulho e ela faria tudo para que ele fosse o oposto do pai: um profissional brilhante e responsável, daqueles que são referência em sua área, que dão palestras e entrevistas. E que, conseqüentemente, teria grande sucesso financeiro. Dinheiro é a recompensa por um trabalho bem feito, nunca deve ser o objetivo principal de alguém decente, filosofava ela. Quando o pai morreu, misteriosamente, Letícia teve um misto de alívio e preocupação. Ela sonhava que o pai de Marquinhos daria uma força para que o menino fizesse faculdade em uma escola americana, possivelmente Harvard.


Um grande pato Donald foi o último presente enviado pelo pai, através de um amigo. O menino instantaneamente se apaixonou por aquele boneco de chapéu de marinheiro que chamava de Dôdi. Dôdi era arrastado, amassado, molhado e vivia cheio de manchas de comida ou coisa pior, por isso dormia todo dia dentro da máquina de lavar. Quando não amanhecia limpo e seco o dia prometia começar mal. Com os anos, Dôdi havia virado não a lembrança do pai, mas um membro inerte da família, tinha lugar fixo na mesa e era mais amado que a avó com alzheimer. Marquinhos não pensava nele como um brinquedo, era seu melhor amigo, dependia dele emocionalmente. Foi às primeiras duas semanas de aula acompanhado de Dôdi até que a professora se cansou de ter que dar beijinhos de despedida naquela pelúcia suja. Para Letícia, Dôdi era como uma mistura do coelho da Mônica com Chuck, o brinquedo possuído. Tinha medo de que ele começasse a falar a noite, contando os detalhes ignorados de sua morte violenta. Agora além de enfiar Dôdi na máquina, dava duas voltas na tranca da porta que separava a cozinha da área.


Depois de ver Toy Story, animação onde os brinquedos têm vida apenas longe dos olhos humanos, Letícia surtou. Aproveitou que Marquinhos não estava tão obcecado pelo boneco - acabara de ganhar um autorama - e entregou Dôdi ao primeiro menino que a abordou no sinal de trânsito. Nessa noite se sentiu como aquelas mães da praça de maio que finalmente enterram os restos mortais do filho. Ao acordar, chorando muito, foi ao quarto de Marquinhos para beijá-lo e tentar diminuir seu remorso. Teve um calafrio e uma dor no peito ao encontrá-lo abraçado a Dôdi. O susto causou
-lhe um infarto tão forte que sequer entendeu que havia tido um sonho.


Alguns anos depois o pai de Marquinhos volta ao Brasil com nome e rosto diferentes. Está milionário por ter conseguido enganar
a companhia de seguros com o apoio de sua comparsa. Procura seu filho e, chantageado pelo avô, que alegava ter gastado muito dinheiro com o menino, diz-lhe que mandara quinhentos mil dólares dentro de um boneco de pelúcia há quatro anos e que provavelmente estavam em alguma conta secreta da falecida.

quinta-feira, 15 de março de 2012

A GUARDA COMPARTILHADA E NÓS


Eu, minha filha e a mãe dela somos uma família diferente. Não moramos juntos mas conversamos todo dia, trocamos idéias quando temos algum problema e falamos dos acontecimentos do dia. Ava mora parte da semana comigo, parte com a mãe. E isso desde que ela tinha 1 ano e meio. No começo muitas pessoas desconfiavam se isso iria ser bom para ela e que optamos pela guarda apenas para que tivéssemos tempo livre, sem pensar no bem da criança. Sabíamos que a troca de informações constante e a sincronia na rotina das duas casas seriam primordiais para que a guarda desse certo. E foi a partir de muita conversa e com um olhar sempre atento para o comportamento e hábitos da nossa pequena que fez com que, seis anos depois, a gente se orgulhasse da decisão que tomamos. Compartilhei nesse blog várias das fases que passamos nesses anos e continuo, de vez em quando, postando alguma coisa que realmente acho que valha a pena. Nesse último ano pouca coisa mudou na nossa rotina e isso acaba refletindo nos posts. Comecei a achar que era tudo muito parecido com o que tinha escrito e dei um tempo. Volto, motivado pela notícia de que a opção pela guarda compartilhada dobrou em 10 anos (de 2000 para 2010), como mostra a reportagem abaixo. Civilidade, respeito, paciência, compreensão, amor. Uma boa relação pós­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­-separação precisa de tudo isso. Momentos difíceis existem, assim como nas famílias convencionais.

O BRASIL APROVOU A GUARDA COMPARTILHADA

Aumenta número de casais com guarda compartilhada dos filhos:

segunda-feira, 16 de maio de 2011

PROGRAMA CASA SEGURA


Um levantamento feito pela Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abracopel) mostra que, no ano passado, 51 pessoas morreram vítimas de eletrocussão em residências. Desse total 19% eram crianças entre 0 e 10 anos. Na indústria, o índice é de 14, deste, apenas um era profissional eletricista.

O caso mais recente aconteceu na cidade de Teresina - PI, neste último dia 11, quando o menino de 1 ano e 3 meses, Davi da Silva Filho, morreu após colocar o dedo em uma tomada, ele havia acabado de sair do banho e estava brincando em um quarto dentro de casa.

Especialistas do Programa Casa Segura afirmam que esse problema poderia ter sido evitado com a instalação adequada de sistema de aterramento e do DR (dispositivo de proteção a corrente diferencial-residual), principalmente utilizado em circuitos elétricos localizados em áreas molhadas. Esse equipamento desliga em milisegundos a energia de equipamentos que apresentem a menos possibilidade de perigo.

O Programa Casa Segura recomenda sete passos bastante simples na manutenção das instalações elétricas para evitar essas ocorrências trágicas:

  1. Faça o aterramento nos circuitos elétricos;
  1. Não utilize benjamins, tomadas em T ou outro tipo de extensões para evitar sobrecarga na rede e possível curto-circuito;
  1. Não utilize instalações elétricas provisórias ou precárias (gambiarras);
  1. Utilize os disjuntores do tipo DR (dispositivo de proteção a corrente diferencial-residual) nos circuitos elétricos, especialmente em áreas molhadas (banheiro, cozinha e lavanderia);
  1. Obedeça as normas da NBR 5410-Instalações Elétricas de Baixa Tensão;
  1. Realize periodicamente manutenção preventiva nas instalações elétricas, pois as instalações possuem vida útil limitada;
  1. Procure um profissional habilitado e credenciado para reparar as instalações.

Facebook: http://www.facebook.com/pages/Programa-Casa-Segura/178833382143614

quinta-feira, 31 de março de 2011

PORQUE NÃO SE SEPARAR DOS FILHOS


Na primeira infância, até os 6, 7 anos (quando a criança forma muito de sua personalidade), quanto mais você convive com ela, mais influência ela vai ter do que você acha legal em você: Seja seu gosto musical, seu caráter, sua seriedade no trabalho, seus valores humanitários, sua paixão por esportes, por viagens, seja o que for. Quem não quer passar o que tem de melhor para os filhos? E esses pontos de contato com eles vão ser importantíssimos na adolescência.

O pai que convive com os filhos não sente aquele ciuminho da convivência deles com o namorado ou marido da mãe deles. O papel de pai já é seu e você corre menos risco de seus filhos aparecerem com a camisa daquele time que você odeia.

Essa convivência e o diálogo constantes são bons pra todo mundo: Pro pai, porque ganha cumplicidade com o filho e autonomia pra criar, educar, cobrar, não só pra divertir a criança no fim de semana. Pra criança, porque convive com o pai e com a mãe e sente o amor e a presença dos dois. E, igual num lar onde pai e mãe moram juntos, a criança tem a opinião dos dois no dia a dia. Isso é ótimo mesmo que eles discordem porque quase tudo na vida tem mais de uma abordagem, tem mais de um lado. E também é bom pra a mãe, porque ela tem tempo pra ficar com a criança e também pra trabalhar, se divertir, que ninguém é de ferro. E por aí vai. Pra quem trabalha em horário incompatível, ou mora muito longe, vale contar uma história pra dormir ou até ajudar no para casa via webcam, por que não?

segunda-feira, 21 de março de 2011

NOVA ESCOLA, NOVO TUDO


Sempre acho estranho quando ouço pais reclamando de deveres de casa extensos e do tempo que perdem orientando os filhos a fazê-los. Claro que existem exageros, tipo escolas que já embutem nas crianças de sete anos preocupação com vestibular. Mas no geral, os professores dão os “para casas” que julgam necessários para que a matéria seja assimilada. Em reunião de pais eu ouvi o absurdo de um casal que dizia que pagava caro à escola exatamente para que o filho não precisasse que eles o educassem em casa. O garoto em questão não fazia nada se os pais não se sentassem ao lado dele. Não o culpo. Provavelmente era a hora em que ele tinha argumentos irrefutáveis para forçar a convivência e o diálogo com os pais. Sem paciência não se cria filho e achar que escola educa é um erro grosseiro. Ela informa. Quem educa somos nós. Mas, em algum momento, é normal praguejarmos por conta de uma importante reunião de escola incompatível com nossos horários de trabalho, ou de um dever que nem nós sabemos fazer.

Minha filha mudou de escola esse ano. Perguntando à ela o que estava achando da nova escola, vieram informações interessantes à respeito da professora, do espaço, da convivência com os colegas, da hora do recreio, do lanche, das aulas de arte. Tudo ali, tim tim por tim tim. Uma visão às vezes engraçada, às vezes curiosa sobre a nova escola. Marquei uma reunião para tirar algumas dúvidas. Feito isso, conversei com ela. Eu acredito na minha filha desconfiando. Ela não mente compulsivamente, mas crianças normalmente mentem para facilitar sua vida. Nesse papo vieram à tona mais algumas indagações e inevitáveis comparações com a escola antiga. Nostalgia em criança tão nova é no mínimo interessante. Ou seja, o que quero dizer com esse post, o primeiro depois de alguns meses de jejum, é que a avaliação da escola é uma coisa dinâmica e o diálogo a respeito da formação intelectual de nossos filhos tem que ser constante. Temos sempre que lembrar que escolas particulares, por mais bem avaliadas que sejam por nós, algumas vezes “agem” como uma típica instituição privada: visando o lucro. As únicas pessoas que passam informação de maneira desinteressada, movida pelo amor somos nós, os pais. Com o resto, temos que ficar de olhos e ouvidos bem abertos o tempo todo. E dá-lhe “para casas”, conversas, reuniões. Às vezes é chato, mas compensa.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

DE UM PAI SOLTEIRO PRA OUTRO: PATO DONALD.

Hoje estava relendo alguns gibis antigos, um dos itens do meu patrimônio mais cobiçados por Ava. Deitei-me na rede com uma pilha de revistas e comecei a viajar como não fazia há uns 30 anos. Carl Barks, o homem dos patos. O cara brilhante que inspirou a mim, Spielberg e George Lucas (tô bem acompanhado) e tantos outros. Suas histórias mais pareciam storyboards de cinema. A editora Abril lançou no Brasil, há poucos anos, a coleção completa de histórias da família Pato desenhadas por ele. Disney era a grife, o artista era Barks. Escrevia as histórias e as desenhava. Puta roteirista. Exímio desenhista. Apenas com o preto e o branco o cara desenhava paisagens lindas inspiradas nas fotos da revista National Geografic. Suas sombras são magistrais. Dar expressão e personalidades tão marcantes a patos não é fácil. Não é por outra coisa que o Donald é meu personagem preferido. O marinheiro é mais humano que muito candidato a presidente. Ele tem preguiça, ciúme, inveja, ódio, momentos brilhantes, tenta o sucesso tantas vezes quanto se frustra, ama, e é pai solteiro de três patinhos capetas (esse papo de tio já era). Foi a contragosto pra guerra. Tem tanto caráter que perdeu o lugar de símbolo americano pro Mickey, cagüete macartista.

O negócio é que o Donald queria ser bom pai, mas eram os patinhos que precisavam consertar suas bagunças. Davam-lhe, depois, lições de moral com o manual do escoteiro mirim em punho, comprovando que estavam certos. O Google é o novo manual dos escoteiros. Ele, que é sobrinho do pato mais rico e mais sovina do mundo, se submete às piores humilhações pra por comida em casa. Sente inveja e frustração quando o primo, apesar de incompetente, se dá melhor por pura sorte ou puxação de saco. Não sei se é vantagem ou desvantagem pra ele seus filhos não crescerem, ele curte o dobrado e também não tem problemas com idade. Admiro o caráter de alguém que, mesmo sendo pato, se aceita como é ao mesmo tempo em que tenta melhorar. Nunca vou esquecer dois desenhos animados (não sei se Barks é o roteirista, mas bem pode ser) em que Donald passa a falar com uma linda voz. Num deles, por conta de pílulas, ele vira um ótimo vendedor por causa da voz galante e, confiante, vai pedir a Margarida em casamento. No outro, depois de um vaso cair em sua cabeça, Donald tem amnésia e passa a cantar com a voz do Frank Sinatra. Fica rico e famoso, mas passa a tratar a namorada como uma estranha. Margarida faz de tudo para ser lembrada, mas sem sucesso e louca de amor, ela decide jogar outro vaso em sua cabeça para que ele volte ao normal. Em um momento se questiona: “O Donald de voz feia, pobre e azarado de sempre, mas que me ama, ou o Donald da bela voz que é amado por todos, admirado, rico e feliz, porém, que me despreza?” Era ela versus o mundo. E ela grita: “EU, EU, EEEEEEU!!!!” e lhe manda o vaso direto no coco.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

TRILOGIA DE SEPARAÇÕES FRUSTRADAS

1. ESPERANÇA
Esperança se separou quando poucos casais em sua cidade tinham a coragem de fazê-lo. Separou não, aliás, foi separada. De tanta certeza que o marido tinha de que ela nunca faria nada a respeito de suas infidelidades, um dia passou da conta. A filha e alguns vizinhos o viram agarrado a uma loura de short branco, dentro de um Puma sem capota, igualmente branco. Só restava à Esperança pedir o divórcio para recuperar a dignidade. Apesar de ele dizer que estava bêbado. Apesar da filha lhe culpar por ser tão séria e moralista. Era orgulhosa de que seus pecados confessados na missa das 11 de domingo se restringiam à sua preguiça pela manhã e a inveja de sua chefe, casada há 30 anos e aparentemente realizada. Crispa as mãos na altura do peito quando lhe bate qualquer desejo que lhe faça cócegas abaixo do umbigo . O marido (assim ainda o chama quando se refere a ele para estranhos) já havia casado duas vezes e estava para se separar de novo. Ele contava tudo, sempre, a ela, depois, tentando buscar sentido para aquela relação que sobrevivia apenas por conta da filha que amavam tanto. E a cada reclamação dele um tijolinho de felicidade reerguia dentro dela aquela ruína que já fora uma família. “Por isso nunca quis casar de novo, se não deu certo com você não daria certo com ninguém”. E ele, ignorando os óbvios duplos sentidos de todas as suas frases de consolo, discordava: “Não deu certo porque eu sou um idiota, você é uma mulher maravilhosa e devia tentar se apaixonar de novo”. Seguiu-se um beijo no rosto e o hasta la vista baby de sempre. Saiu, e como tem a chave, nunca precisou que ninguém o acompanhasse até a porta.
2. PIEDADE

Estava casada há 30 anos. Um dia acordou com a idéia de se separar do marido. A filha se casou, se separou, e agora estava morando com um brasileiro que era seu professor em Barcelona. É tão fácil para os jovens se separar, mas tão difícil para os velhos, pensou. Não mais para ela, que de súbito se sentia jovem de novo. Ainda tinha saudades da paixão, do sexo arfante, do coração disparado. Tudo aconteceu em menos de um mês. O marido pouco disse. Nem iria adiantar nada, ele sabia. Só argumentou que deveriam vender o apartamento em que moravam e a casinha em Lavras Novas para dividirem o dinheiro. Ela negou, disse que a casa na roça era a única coisa que ela queria. Iria alugar um quarto e sala na cidade e tudo ok, não precisaria mais que isso. Ele se prontificou a pagar seu aluguel já que ficaria com o imóvel que valia muito mais. Assim foi. Ela viajou horrores, bebeu, fumou, cheirou. Namorou jovens e velhos, se apaixonou, teve infecção urinária, teve o coração partido, esnobou cavalheiros. De vez em quando falava com o marido ao telefone, que lhe ligava em aniversários e réveillons e o encontrava em filas de cinema e shows. Tinham ou desenvolveram ao longo dos anos um gosto muito parecido para a arte. Quando fez 60, Piedade deu uma festa de arromba. Até a filha veio com o namorado de Barcelona. O ex foi, ficou menos de uma hora. Semanas depois Piedade foi visitá-lo. Parecia triste e doente. Depois de insistir muito, ela lhe arrancou a verdade. Depressão por conta de um câncer. Passava o dia todo deitado, estava aposentado por invalidez e terminou com a namorada para poupá-la do luto. Na semana seguinte Piedade muda de mala e cuia para sua antiga casa, também termina com seu namorado quinze anos mais moço e passa a tratar o ex, em vez de Roberto, por “meu amor”.
3. GRAÇA

A arquitetura em espelho do apartamento, projetado originalmente para um casal com dois filhos adolescentes, foi um grande argumento. Mas o mais provável é que ambas estivessem pensando a mesma coisa há tempos. A obra foi rápida: uma parede cortando ao meio sala, cozinha e área. Cansavam de repetir a amigos e visitas que não era nada demais, elas se viam apenas quando ambas queriam o contato e só, gostavam do bairro, do prédio, e metade do apartamento era suficiente para uma pessoa. No elevador não se limitavam a bomdias e boanoites. Quase 10 anos de convivência juntando amizade, namoro e casamento lhes permitiam ir além sem maiores arrependimentos. Trocavam receitas e ingredientes. Davam carona uma pra outra. Chegaram a sair juntas com suas novas companhias mas não deu muito certo. ”Foi demais para as pobres cabecinhas delas!”, riram muito depois. Uma era filha única e a outra filha bastarda de um bem sucedido empresário da construção civil. Depois de alguns anos passaram a se apresentar como irmãs e não tiveram mais problemas com ciúmes. Até que conheceram Graça. Se apaixonaram instantaneamente e violentamente por aquela ruiva de gestos contidos e sorriso mágico. Graça, depois de freqüentar os aposentos de ambas, ordenou que derrubassem aquela parede que lhe lembrava o muro de Berlim. Não foi atendida. No entanto, abriram uma porta na área de serviço, e deram-lhe, dentro de uma caixinha com um lacinho, a única chave, no dia de seu aniversário.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

AGORA É LEI: MANIPULAR CRIANÇA OU ADOLESCENTE CONTRA SEU GENITOR GERA PUNIÇÃO

O presidente Lula sancionou dia 26 de agosto, com dois vetos, o projeto de lei da alienação parental (o qual visa proteger a criança ou adolescente).

Sugestão de post: Gustavo Piveta

terça-feira, 14 de setembro de 2010

PATOLOGIAS PÓS SEPARAÇÃO



SÍNDROME DE MADASTRA MALVADA

Acomete aquela linda mulher, que antes de se casar, e principalmente, antes de engravidar, adorava e tratava muito bem os filhos do primeiro casamento do marido, mas depois de parir o seu próprio rebento, passa a tratá-los como se fossem avatares da mãe deles. Acaba afastando o pai da convivência com as crianças por simples capricho e egoísmo. Talvez medo de dividir bens materiais e atenção.


SÍNDROME DE BABUÍNO

Normalmente acomete aquele cara legal e moderno, que teve várias namoradas depois de separado, trata super bem a ex-esposa e os filhos até o dia em que vê que a ex está realmente e finalmente gostando de alguém pra valer. Daí ele desanda a atrasar a pensão, some do mapa por dias, fica agressivo e acaba por tentar se reconciliar a qualquer custo. Normalmente diz que nunca amou alguém de verdade, fora ela (a ex).


COMPLEXO DE MEDÉIA

Acomete algumas mulheres cujo ex-marido está em vias de se casar de novo. Ela passa a hostilizá-lo e a dificultar o contato dele com os filhos. Com medo de perdê-lo definitivamente ela usa as crianças como moeda de troca para sua atenção. Cega de ciúme, não vê que prejudica os filhos em nome de sua vingança. Acusa sem justificativa a atual companheira do ex de falsa e sem-vergonha, podendo chegar a tratá-la por piranha e vadia.



COMPLEXO DE WALLY

Alguns homens que se separam sofrem do complexo de Wally por algum tempo. Simplesmente somem. Querem mostrar para si e para todos que estão se dando bem sozinhos. Ou tentam demonstrar mágoa ou vingança com sua ausência e acabam por praticamente esquecer que tinham família. Infelizmente quem sofre mais com isso são os filhos. Acham que o pai deixou de gostar deles e se sentem culpados por isso. Anos depois, esses pais fujões tentam se reaproximar dos filhos. E alguns conseguem ser bem sucedidos na retomada da carreira de pai.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

DICAS DE PAIS BLOGUEIROS: REVISTA CRESCER DE AGOSTO

Eu e Ava estamos na revista crescer de agosto!

PAI - EFEITOS COLATERAIS


Dia desses, frio, eu me peguei incomodado com a linda secretária que estava de blusa de alcinha e se encolhia no canto da sala. Cedi meu casaco a ela. E fiquei com frio por algumas horas até que me acostumei. Enquanto meu corpo se adaptava ao ar condicionado, culpei os meus quarenta anos por me comover tanto por moças de vinte e seus encantos.

Na rua, encontrei com um amigo, assumidamente boêmio, e insisti para que ele comesse alguma coisa entre uma cerveja e outra.

Incerta quanto a sua vida profissional, minha namorada ouve de mim conselhos intermináveis sobre qualificação e seriedade na profissão seja ela qual for.

Outro dia, uma raiva súbita me possuiu ao ser abordado por uma senhora pedindo esmola com um bebê no colo. Estava fazendo muito frio.

E passando pelo drive-thru de uma famosa lanchonete, vi um casal magrinho com duas crianças obesas se empanturrando de batatas fritas. Incômodo enorme.

Daí tive uma epifania. E fiz as pazes com meus quarenta anos, não era nada disso.

Com a ocitocina em alta (ver post anterior) e acostumado a repetir os procedimentos paternos, acabo por ter um comportamento paternal mesmo com pessoas adultas e responsáveis por si mesmas. Além de desgastante pra mim, deve ser chato pras pessoas que me cercam.

Estou tentando me policiar. Mesmo minha filha acha ruim quando insisto para que tome banho, escove os dentes, coma bem, durma na hora certa. Eu mesmo odeio quando meus pais me dão conselhos. Mas há alguns momentos em que não consigo ficar de boca fechada. Daí a culpa é da minha chatice inata mesmo.

domingo, 22 de agosto de 2010

VACINAÇÃO

Não conseguiu vacinar seu filho? A vacina contra a paralisia infantil ainda está disponível em toda a rede pública do país. Vá ao posto de saúde mais próximo e imunize todas as crianças menores de cinco anos. A poliomielite é uma doença grave e não existe no Brasil desde 1989. Vamos ajudar a mantê-la longe das nossas casas!

Mais informações: comunicacao@saude.gov.br ou http://www.formspring.me/minsaude

quarta-feira, 28 de julho de 2010

SER PAI, SER FILHA



Ser pai de uma menininha é:

. Saber que Barbie é mais sobrenome de boneca do que nome

. Fazer um curso básico de maquiagem

. Entender que a obsessão feminina por roupas e sapatos é inata.

. Saber os diferentes nomes do rosa

. Entender que as mulheres simplesmente não conseguem não seduzir

. Receber beijos carinhosos e abraços apertados sem nenhum motivo

. Começar a misturar as histórias da Branca de Neve e da Bela Adormecida

. Ser careca e ler tudo sobre cabelos cacheados.

. Encontrar bilhetinhos lindos embaixo do travesseiro e adesivos de coração grudados na TV.


Ser menina criada (também) pelo pai é:

. Amar seu time e saber de cor o hino

. Saber usar o computador e o celular desde bem cedo

. Levar revistas em quadrinhos pro banheiro e ficar lá quase meia hora

. Saber se divertir sozinha

. Saber desde sempre que gritar não é a melhor maneira de se comunicar

. Descobrir bem cedo a diferença entre meninos e meninas

. Entender que cerveja é a batata-frita dos adultos

. Não entender porque o pai, sendo careca, tem na gaveta do criado um gel.

. Saber que, existe sim, hora pra bagunça

domingo, 11 de julho de 2010

OS NOMES DO ROSA


"- Quero esse casaco cor de rosa, papai, e essa saia pink. Essa meia rosa choque listrada também. A calcinha da moranguinho e essa blusinha rosa bebê. Não são lindas?"

Ava já tem seis e a onda rosa não acaba, nem ao menos diminui. Eu nunca tive nada contra o rosa. Principalmente o rosa clarinho, bebê. Tenho algumas camisas sociais com essa cor que compõe muito bem com ternos escuros e claros. Mas depois de ser pai de uma menininha passei a ter overdose diária de rosa.

Desde cedo me interesso por misturas de cores. O domínio do universo cromático é importantíssimo para qualquer artista plástico. Daí minha indignação, não com a preferência por uma cor, mas pelo desprezo pelas outras.

Fomos eu e Ava ao shopping comprar roupas de frio essa semana, quando se deu a fala que abre esse post. Depois de discorrer até com certa prolixidade sobre a importância e a utilidade de todas as cores, chegamos a um acordo. Ela iria abrir mão do rosa em metade das roupas. Claro que essas cores alternativas acabaram sendo o roxo, o vermelho, o carmim, o lilás. Mas já era um avanço, pensei eu. Só não contava com sua contra-proposta. Eu teria que comprar algo rosa para mim. E não podia ser rosa bebê, pois eu já tinha.

Topei, achei justo. Para meu alívio estava certo que não iria encontrar nada numa loja masculina que fosse pink ou cor parecida. E assim foi. Ava ficou decepcionada. E de certa forma eu também. Queria cumprir o trato.

No dia seguinte ela se lembrou do cachecol pink que ela ganhou e imediatamente me deu de presente. E não é que ficou bom? Saímos juntos à noite felizes, desfilando nossas roupas e até ganhamos alguns elogios de estranhas. Todas as cores são lindas mesmo.

terça-feira, 29 de junho de 2010

DICA LITERÁRIA - TÂNIA ZAGURY

Tive a sorte de conhecer pessoalmente a psicopedagoga e escritora Tânia Zagury numa mesa redonda da qual participamos juntos na Bienal do Livro de BH, mês passado. Inteligente, coerente, uma profissional séria e respeitada. Seus livros são traduzidos para várias línguas e alguns tem vendagens enormes. Estou lendo a Gênese da Ética. E quero ler todos agora. Indico para todos que tem filhos. Graças a ela eu parei de dar beliscões corretivos na minha pequena. Ela me convenceu com pura razoabilidade de que a coação física não é o melhor caminho para educar.


E ela ainda tem livros infantis, dentre eles "O Desmaio do Beija-Flor", que é lindo.

sábado, 26 de junho de 2010

10 DICAS DE UM PAI SOLTEIRO

Essas dicas me foram pedidas por uma jornalista. Acho que é meio que um resumo do blog.

. Para pais separados, não se refira à sua casa como sendo a casa do papai. Sempre como sendo a casa da criança e do papai. O mesmo vale para a casa da mãe. É da criança e da mamãe.

. Se tiver mais de quarenta, nunca contrate babás novinhas e gostosas. Se você for separado ou vira tortura ou confusão. Daí é problema na certa. Se for casado, pode levar um cascudo da patroa da primeira vez que ela lhe flagrar dando uma olhadela. Da segunda vez é rua pra coitada, que, mesmo sendo boa profissional, vai levar a culpa.

. Faça uma hortinha de ervas na área de sua casa ou apartamento, em jardineiras. Além de serem úteis na cozinha, estimulam as crianças a cuidarem de plantas. Manjericão, alecrim, erva-cidreira, sálvia, orégano e tomilho são bem fáceis de cultivar e tem aromas deliciosos. Minha filha fica toda feliz quando usamos em nossas pizzas o manjericão que ela ajudou a plantar e cuidar.

. Sempre confie no “sexto sentido” feminino, seja de sua mãe, mulher, ex, namorada ou filha.

. Ande sempre com uma caneta e uma dessas revistas de palavras cruzadas e outros jogos pra crianças no porta-luvas do carro. São bem mais estimulantes e inteligentes que joguinhos eletrônicos ou DVD’s portáteis e entretém do mesmo jeito. Dá pra você ver um jogo de futebol num bar com seu filho ou filha do lado numa boa. E permite alguma interação entre vocês.

. Se não der para aparecer no dia que você combinou com sua criança, ou se está muito atrasado, ligue e peça desculpas. Prova que isso não é a regra e sim a exceção.

. Engula todos os sapos possíveis e imploda os barracos que possam acontecer na frente de sua criança. Autocontrole se aprende em casa.

. Se você é pai solteiro não misture as coisas. Na hora em que você estiver com sua cria seja um adulto responsável. Quando não estiver seja o adolescente tardio que a gente adora ser. Viva os anos oitenta.

. Educar é amar. Aquele que não educa, corrige, castiga, ou é preguiçoso demais ou só pensa em si. É desgastante ter que parar o que se está fazendo para chamar a atenção de filho e é doído aplicar-lhe castigos. É difícil em determinados momentos ter que pensar em como falar tal coisa para que a mensagem gere atenção e seja entendida. Mas só fazendo isso você cria a ética do futuro adulto.

. Manifestações de carinho, presença e atenção para com os filhos são sim, provas de amor. Passeios de bicicleta, caminhadas no mato, viagens, piqueniques, geram laços eternos.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

quinta-feira, 10 de junho de 2010

FILHO, EU?


Desde que me separei meus ouvidos buscam histórias e casos de quem também passou por essa doída experiência. Uma delas foi a de um casal que estava há um mês separado (com filho de quatro anos à época) e que eu encontrei ora com um, ora com outro, na mesma noite, em lugares diferentes da cidade. Ela foi a primeira. Entre os papos de sempre, me disse que pra ficar por uma noite não faltava homem, mas eles evitam namorar com mães, pois elas têm menos disponibilidade para se divertir e menos flexibilidade para topar programas de última hora, entre outras coisas. Concordei parcialmente. Quando existe um sentimento forte por alguém se dá um jeito. A família ajuda, o cara topa uns programas infantis. Amor é um motor e tanto para o entendimento. E aproveitei para plantar a sementinha da guarda compartilhada na cabeça dela, que tinha horror de deixar o filho com o ex-marido por julgá-lo avoado demais.

Horas depois estava eu com ele, o ex-marido, numa dessas ótimas coincidências. Ele estava acompanhado. Aproveitando a hora em que a moça foi ao banheiro ele me disse sorrindo que estava no paraíso, pegando mulher pra caramba, todas lindas, não se interessava muito por nenhuma, algumas nem guardava o nome ou telefone. Estava amando a liberdade pós-separação. A outra face da mesma moeda. Eu perguntei a ele sobre seu filho e ele disse que gostaria de ficar mais com ele do que ficava, mas a ex não confiava muito em suas habilidades de pai. Comecei a falar de como essa confiança pode acontecer gradativamente, tanto na medida da experiência dele quanto no fato de que a criança cresce e fica menos dependente da mãe e a mãe dela. Não percebi que já chegara do banheiro a garota do meu amigo. “Você tem filho?” - disse a mocinha com ar de indignada. “Tenho, por quê?” – respondeu ele. Nessa hora saí de fininho com um sorriso amarelo que significava um pedido de desculpas. Ninguém precisa falar de filho para uma ficante na primeira noite. Mais uma vez, homens e mulheres estão em pé de igualdade.

Isso faz 3 anos. Hoje eles dividem a guarda (o garoto tem sete) e estão felizes namorando pessoas legais.