SOB O CÉU QUE NOS PROTEGE



Tenho várias dúvidas a respeito da educação de minha filha. Uma delas é se devemos misturar religião e infância. Os conceitos de amor, respeito, moral e ética, que são essenciais, não precisam necessariamente estar misturados com doutrina, ou precisam? Certo e errado são conceitos dependentes de religião para existir ou para conseguirmos diferenciá-los? E qual é a melhor religião? Sempre a dos pais? E se o pai e a mãe tiverem religiões diferentes? Religião na vida de uma criança é realmente necessária?

Tentar compreender a existência de seres imateriais que dão e que tiram, que permitem que várias pessoas tenham uma vida longa e feliz e ao mesmo tempo permitem que milhares morram em catástrofes ou vivam em miséria, não confunde a cabecinha cada vez mais ocupada das crianças?

Estou começando a ouvir frases como: “Por que existem pessoas pobres, elas não sabem rezar?” ; “Não tem problema morrer se a gente volta, né papai?” e “Não precisa de remédio, se eu rezar vou ficar boa”. Elas me fazem refletir se é a hora de minha filha conviver com dogmas religiosos. E se estes dogmas são compatíveis com as noções de causa e efeito, tão importantes nessa fase.

Alguns pais não furam a orelha da filha quando bebê, esperando que venha dela a iniciativa quando mais velha; hoje a maioria dos pais respeita a opção profissional e sexual de seus filhos, quando adultos, por mais que tenham restrições a respeito. Da mesma forma, acho que deixarei pra ela escolher sua religião, se ou quando tiver necessidade disso. E respeitarei sua escolha. Mas por enquanto o céu será lugar de nuvens, pássaros e estrelas.

Comentários

Nina disse…
Legal seu texto, Aggeo, parabéns!

Nessa questão da religião, com em outras, eu enfatizo para minha menina o que eu acredito, porém, mostrando a ela que existem outras crenças, outras possibilidades. A escolha ela fará quando for maior, mas nesse momento, acho que ela gosta de compartilhar comigo os rituais daquilo em que creio.

Eu ainda me sinto crescendo... Como é difícil ser responsável por apontar os caminhos! Mas no fim é isso, apontar o caminho. Trilhá-lo cabe a cada um.

bj
Jacke Gense disse…
Eu acredito que você colhe o que você planta. Por isso eu deixo a sementinha no coração dos meus filhos sim.

Enfatizo que Deus existe e que precisamos Dele. Sou católica e é essa religião que deixo como herança à eles.

Se lá na frente eles não quiserem seguir, nada poderei fazer. Mas eu acredito na importância de se dar uma boa base religiosa aos filhos.

O que eu ensino é o correto? Para outras pessoas pode ser que não, mas para mim é o alicerce de uma vida espiritual saudável.

Quem planta chuva colhe tempestade e quem planta amor colhe felicidade!!!
Luisa Dias disse…
Aggeo, sinto isso na pele com o meu filhote de 6 anos. Ele me questiona a fé o tempo todo e eu percebo que há na sua dúvida muito da minha dúvida. Como explicar para uma criança o livre arbítrio? Outro dia ele me perguntou se Maria traiu Deus com José. Pode? É a nossa história, é mágica, mas às vezes cheia de pontas que não conseguimos atar. E refletir sobre isso fará bem a nós todos.
Paloma disse…
Putz, essa é uma questão e tanto. Mas, acho que, independente da religião, é legal ensinar o amor, o respeito e a solidariedade que são, em tese, os pilares dos muitos caminhos que levam a Deus. Qual trilhar? Ela mesma vai escolher, com o passar dos anos. bjo
Paloma e Isa
RoCosta disse…
Eu deixei que a minha filha decidisse se queria seguir uma religião, já que eu não sigo nenhuma.
Nina disse…
(Esqueci-em de dizer que adoro o filme e o livro que têm o mesmo título do seu post)

Bj!
Liliane disse…
Posso garantir que religião não faz falta na criação de filhos. Afinal, os meus já são adultos e têm caráter irrepreensível, sem "temer a deus". São muito amorosos e respeitam todo mundo, inclusive os religiosos. Agora, durante a infância surgem várias dúvidas que, no meu caso, optei por responder com a minha naturalidade atéia. O fato é que, além dos pais, as crianças convivem com outros familiares, amigos, colegas de escola, empregados domésticos que, em grande parte, cultivam dogmas ou participam de cultos religiosos e as crianças ficam realmente curiosas. Sempre deixei claro que as pessoas acreditam no que querem e jamais os impedi de ir com avós ou tios a qualquer culto religioso. Com as minhas filhas mais velhas eu tive a preocupação de não colocá-las em escolas religiosas. Com os mais novos, nem me preocupei com isso porque já dava para perceber que eles entendiam bem sobre a diversidade humana. Aliás, tenho casos engraçados sobre as observações que eles faziam sobre religião e as conversas que tínhamos sobre o tema quando eles eram pequenos.
Depois eu conto. bj
Mônica Brandão disse…
Oi Aggeo, sou nova por aqui nos comentários, mas gosto muito do seu blog. Já indiquei para vários amigos, incluindo o meu marido, que apesar de viver comigo e ver a prole todos os dias, sempre reclamou de não ter mais espaços masculinos dentro da "maternidade".
Enfim, gostei do seu post porque fala de um momento que vivemos. Eu acredito em Deus, mas não sigo nenhuma religião. Meu marido é ateu. Daí resolvemos que vamos ensinar valores para nossas filhas. Dentro desses valores, está o de respeitar que as pessoas podem ter opiniões diferentes. Acho que mostrar o que é certo ou errado, o que é bom ou ruim, mesmo quando tudo é tão dúbio, vale muito a pena na infância. Depois, quando eles crescerem, vão lá entender essa coisa toda de religião e resolvem o que querem.
beijos
Mônica
Lu_Mãe disse…
Gostei muito deste espaço. Os textos, as ilustrações. Mesmo sendo um tema inverso do que eu procuro, ao mesmo tempo tem muito a ver pq fala de filhos, então pq não segui-lo?
Um abraço.
alexia disse…
Oi Aggeo.
Se conselho fosse bom a gente vendia, né? Mas, vai lá.
Meus pais me deram educação religiosa e foi maravilhoso. Hoje sinto que sou completa graças a isso.So acredito que estamos inteiros quando nossos corpos físico, emocional e espiritual estam alimentados e harmonizados e a religião me ajudou a trilhar este caminho trino de crescimento.
Com meus filhos, fiz o mesmo e me parece que também foi bom prá eles.
De qualquer forma, o que vale é você seguir a sua intuição e continuar a educar a sua pequena com o grande amor que você deixa transparecer no seu blog.
Um abraço,
Alexia.
John disse…
Sou separado também a mais de um ano e minha ex-esposa é evangélica e tem levado minha filha, de 6 anos, aos cultos. Eu tive criação católica, mas hoje "namoro" mais com o espiritismo. Minha filha nos últimos dias tem me feito questões do tipo: "Pai, você nunca vai na igreja?" ou "Pai, quero que você vá comigo na igreja da mamãe, só uma vez pelo menos". Bom, acho que a ultima vez que fui a igreja foi em algum casamento, apesar de achar a fé válida, como conversar com a minha filha sobre duvidas que eu mesmo não sei se um dia vou ter uma resposta? Talvez eu vá ter que ir a uma igreja evangélica. O que nós não fazemos pelos filhos né?
Um abração
João Valentim
Renata disse…
Acredito que vc está no caminho certo. Concordo bastante com o seu ponto de vista sobre como - e se devemos - educar ou ensinar aos filhos dogmas religiosos. A fé, a crença, etc. são importantes na vida de uma pessoa na media em que podem servir de esperança e conforto espiritual. Mas, até que ponto? Sabemos que a doutrina religiosa levada ao extremo é bastante perigosa e um campo fértil para a intolerância, o preconceito e a arrogância. E digo isso pq eu mesma já participei de algumas igrejas e vivenciei situações do tipo "ou vc se encaixa nos padrões ou não aceitou verdadeiramente Jesus"... Enfim, deve-se mesmo influenciar a criança nesse aspecto? Ou, como vc bem colocou no post, valores essenciais como amor, respeito e solidariedade não devem integrar os valores morais ensinados à crianças independentemente de religião? Bem, essa é a minha opinião, espero que possa ter ajudado na reflexão. Um grande bjo e obrigada pelo blog, sem dúvida um expressão maior de sensibilidade masculina! =)
Lilly disse…
Eu creio que os conceitos funcionem bem mas confesso que até hoje brigo internamente com a minha lacuna religiosa. Meus amigos faziam catequese e eu não podia fazer (o pai espírita não concordava), então eu ia assim mesmo para aprender alguma coisa sobre a bíblia. Talvez a doutrina propicione as respostas que a gente não sabe dar, uma certa organização. Enfim, eu optei por educar meus filhos na doutrina católica embora simpatize com o Espiritismo que também é cristão.

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