PREFÁCIO

Quando me separei, em 2005, minha filha tinha apenas um ano e meio. As primeiras postagens falam mais do processo de reconstruir a vida, tanto a vida pessoal quanto a vida de aprendiz de pai sem a presença da mãe. Agora, compartilho algumas descobertas, incertezas, dúvidas e aventuras que aparecem pelo caminho de nós dois. E a cada dia vejo que sou muito sortudo de ter a companhia que tenho.

Bem vindos ao manual do pai solteiro !

domingo, 29 de novembro de 2009

PROFISSIONAL X PAI














Quando me separei estava no pior momento financeiro da minha vida. E piorei. Demorei uns dois anos pra por as contas em ordem. Para isso trabalhei muito, economizei e por isso deixei de ficar alguns momentos importantes com minha pequena. Já ouvimos que muitas mães têm certa consciência culpada por passar mais tempo no trabalho de que com os filhos. E eu senti isso também em determinada época. Se isso acontecer de vez em quando, relaxe. Mas se você sentir indícios no comportamento de seu filho que ele precisa ficar mais tempo com você , algo precisa ser feito. Até os seis anos, a primeira infância, a gente realmente precisa abrir mão de algumas coisas para garantir que nossos filhos tenham os subsídios necessários para serem adultos bem resolvidos, independentes, de bom caráter. Escola não faz isso sozinha. Não consigo esquecer de um casal de pais numa reunião para conhecermos a nova escola de nossos filhos. Eles não queriam que escola passasse " para casas" porque não tinham tempo para ajudar os filhos. Achavam um absurdo pagar uma escola cara e ainda ter que ficar preocupados em ajudar no "para casa". Ficamos, eu e a ex, boquiabertos. Será que é comum alguns pais pensarem assim? Terem filhos e entregarem para outros criarem?

A partir dos sete, a sociedade (amigos principalmente) ganha um espaço na vida deles que é irreversível. O ideal seria que só à partir dessa época pudéssemos aumentar a nossa carga horária no trabalho. Sempre sem exageros. Mas conheço gente que tem emprego fixo e que conseguiu tirar duas manhãs por semana pra ficar em casa com a(s) cria(s) compensando no fim de semana, trabalhando em casa, ou até mesmo propondo aos empregadores diminuir-lhes um pouco o salário. E valeu a pena, de acordo com eles. Como já mencionei antes, até os seis anos, no mínimo, a criança absorve e forma muitos dos que são serão seus traços de caráter quando adulto. Lembrem-se daquele irmão, primo ou amigo cujos pais só apareciam para dar presentes e deixá-los fazer tudo o que queriam pra compensar a ausência cotidiana. Eles são pessoas legais e produtivas hoje?


Cada um sabe o que faz e o que pode fazer e seguir seus instintos funciona na maioria das vezes. E tem aquele lugar comum e certo: Qualidade é melhor que quantidade. Mas essa equação vai embora quando a quantidade é próxima de zero.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

FILHO(A). UMA ÓTIMA DESCULPA PRA TUDO














Acho que é muito melhor ouvir: “Hoje não posso, vou ficar com meu filho.” do que um “Hoje a noite vou ver o jogo” ou “Hoje a noite combinei de encontrar uns amigos” ou “Já tenho outro encontro”. Não se sinta culpado. A não ser que você esteja ficando com a sua vizinha ou a vizinha de sua ex, sempre dá certo. É uma daquelas mentirinhas brancas que não fazem mal a ninguém. Mas certifique-se que seu filho tem menos de 15 anos para a mentira fazer efeito.

Chegar atrasado ao trabalho dizendo que a babá demorou a chegar e você não pôde sair antes funciona também. Ou até dizer que passou a noite em claro cuidando de seu filhinho que tava doente, e perdeu a hora. Mas não pese a mão. Se ficar constante, ou você nunca vai ser levado a sério de novo ou vai ser visto como o cara do filho-problema.

Por outro lado, puxar conversa com a mãe linda e sozinha que sentou ao seu lado na pracinha, dizendo: “Onde você comprou esse tênis pro seu filho?“ pode ser muito simpático. Ou para aquela mulher que acabou de empurrar sua filha no balanço: “Minha filha disse que você é muito legal e vim te agradecer o carinho com ela” também é um bom começo para uma paquera.

Um homem que mora com seu filho é visto com respeito e admiração pela sociedade, mulheres incluídas. Muitas delas, também ex-casadas, têm que reclamar na justiça para ganhar um salário mínimo dos ex-maridos. Ou têm que ligar e deixar mil recados para que eles apareçam no Natal para ver sua filha. Já que somos uma classe de homens de alta estirpe (na verdade somos o que deveria ser considerado normal) então porque não usar isso a nosso favor?

Algumas sugestões:

“- Hoje a babá atrasou.” (Para reuniões às 8 da manhã em que você chegou atrasado.)

“- Não, tal dia de manhã tenho que levar minha filha ao médico.” (Para futuras reuniões às 8 da manhã)

“- Tenho reunião de pais essa noite.” (Perfeita para quartas à noite, dias de jogo)

“- Nossa, uma mensagem dizendo que minha filha está tendo um ataque alérgico muito forte e vou ter que correr para o hospital.” (Para blind dates marcados em salas de bate papo, quando a mulher que te disse que tinha 30 anos na verdade tem 30 plásticas)

“- Conheci na reunião de pais da escola, ela é uma ótima mãe, somos amigos e ela ta me dando uns toques ótimos.” (Explicando para a recente ex quem é aquela mulher que sua filha fala tanto)

“- Que tal sairmos esse fim de semana com as crianças? Podemos ir ao cinema, ir a um parquinho, almoçar... as crianças parecem muito felizes juntas.” (Para aquela mamãe separada que você encontrou no posto de saúde no dia de vacinação.)

Sugira boas desculpas para o blog...


O MELHOR DOS DOIS MUNDOS













AS MARAVILHAS DE SER (PAI) SOLTEIRO

Agora é a hora de você reinventar a relação com sua criança, ganhar a confiança de seu filho como pai sem a presença constante da mãe e viver a vida. Tenha tempo para passar, sozinho, bons momentos com ela. Vá ao teatro, ao parque (você vai ver quantas mamães lindas, separadas e carentes existem nesse mundo), ao cinema, leve-a a escola. A convivência com crianças é um dos melhores anti-depressivos naturais que existem. E é uma bela troca. Você a deixa feliz e sai recarregado e feliz também, por mais que alguns momentos sejam cansativos para um recém pai solteiro. E por falar em anti-depressivos naturais, antes de recorrer aos de caixinha, caso esteja precisando, lembre-se que ar, água e sol são grandes remédios também. Corra, ande, nade. Não é balela não. Funciona mesmo. Mas antes faça um check-up e procure orientação médica adequada. Faça de tudo para não piorar sua situação. Seja atencioso com você.

Logo no começo, a maioria das crianças (isso depende muito da idade) sente saudades da mãe enquanto estão com o pai. A gente tem que ter a humildade necessária e saber que por mais que nos esforcemos, mãe é mãe. A criança vai manifestar seu amor por você, mas provavelmente muito mais pela mamãe querida. Normal. Mas enquanto ela estiver com você tente fazer desse momento um momento mágico. Ou no mínimo gostoso pra vocês dois. Com o tempo isso irá fazer a diferença no relacionamento de vocês.

Pode parecer mórbido, mas quando eu estava achando a tarefa de ser pai solteiro difícil demais, eu me lembrei de um amigo viúvo. Ele era pai e mãe em tempo integral, enquanto eu só metade da semana. É claro que ele fez amizade com várias mamães por conta disso e pedia-lhes ajuda vez por outra, mas nada melhor que trocar idéias com a mãe do seu filho. Se ele deu conta – a filha dele agora está com 24 anos, formada e fazendo mestrado em Londres - porque eu não iria dar? E agora a sociedade está muito mais bem preparada para receber essas famílias incomuns do que há vinte anos atrás.


GUARDA COMPARTILHADA













A guarda compartilhada de filhos menores, é o instituto que visa a participação em nível de igualdade dos genitores nas decisões que se relacionam aos filhos, é a contribuição justa dos pais, na educação e formação, saúde moral e espiritual dos filhos, até que estes atinjam a capacidade plena, em caso de ruptura da sociedade familiar, sem detrimento, ou privilégio de nenhuma das partes. (...)


Garanto que seu amigo advogado vai lhe dar pareceres mais qualificados que eu. Mas, no meu caso, eu e minha ex tivemos a mesma opinião sobre isso. Não queríamos que eu fosse pai de fim de semana. Não queríamos entregar nossa filha a babás durante muito tempo.

A princípio, antes dela entrar pra escola, eu a buscava quando podia, a qualquer hora. Dormia com ela, saia, brincava em casa. Muitas vezes trabalhava na sala enquanto ela desenhava ao meu lado, só pra ficar perto dela. De vez em quando parava, brincava uma meia hora e voltava ao trabalho. Outras vezes passava uma manhã ou uma tarde com ela e a devolvia à mãe. Um ano depois ela entrou para a escola, à tarde. Ficou bem mais fácil para mim programar os dias em que ficaria com ela. Como ambos somos autônomos e trabalhamos em casa, tentávamos nos liberar nas manhãs em que estávamos com a guarda. A escola funciona como uma câmara de descompressão.

Enquanto ela era muito pequena e sentia muito a falta da mãe era assim, mamãe leva e papai busca (nas palavras de nossa filha). Ou seja, alternávamos os dias. Estávamos sempre com a cabeça fresca e com saudades de nossa criança. Um dá almoço e leva pra escola e o outro busca, dá banho, dorme com ela, passa a manhã, almoça, leva pra escola e assim por diante. Fins de semana eram divididos mais livremente de acordo com os planos de cada um. Combinamos certas regras como hora de dormir, cardápio, hora de lanche, hábitos diários. Tudo teria que ser igual na medida do possível para que ela não sentisse que passava de um mundo para outro a cada dia. Nas duas casas ela tem um quarto com suas coisinhas, organizada de maneira parecida. Tentamos repreender suas desobediências também da mesma maneira, com muita conversa, castigos e raramente, uns beliscões (sem unha) na bunda.

Depois de um ano assim tentamos fazer diferente. É o típico erro de mexer em time que está ganhando. Apesar da nossa ótima intenção. Algumas opiniões, alegando que a criança ficava dividida, que teria chances de desenvolver dupla personalidade, que não conseguiria nunca ter um cotidiano normal, fizeram com que nós dividíssemos a semana ao meio. Numa semana ela ficava quatro dias comigo, na outra, quatro dias com a mãe. E certa tarde quando fui pegá-la pela terceira vez consecutiva na escola, ela pediu pra eu levá-la para a casa da mãe ou não iria comigo. Fiquei baqueado. Mas foi bom para eu descer do salto alto me achando de certa forma igual a uma mãe. Crianças têm um apego pela mãe, normalmente, muito maior do que pelo pai nessa idade. Ela tinha três e meio. Fomos a uma psicóloga, e ela nos disse algo que já sabíamos. Crianças que estão com problemas demonstram isso. Se a criança é feliz, come bem, é comunicativa, se relaciona normalmente com outras crianças, ela está bem. Qualquer distúrbio psicológico aparece no comportamento da criança e não é preciso ser um profissional para ver isso. Nós, pais e mães que convivemos e conhecemos nossos filhos sabemos quando alguma coisa vai mal. Pois bem, voltamos a alternar os dias e a partir dos 5 anos eu fico dois dias com ela, a mãe dois dias e no fim de semana sempre conversamos sobre o que seria mais adequado aos três. Cada caso é um caso e existem várias profissões dos pais que inviabilizariam isso. Mas até os sete anos a criança precisa e muito dessa presença dos pais em suas vidas. Haja vista o tanto de sociopatas entre 30 e 40 anos filhos da geração trabalho acima de tudo. Grana é essencial, inclusive para garantir uma boa educação para nossos filhos. Mas eles precisam muito de atenção se o objetivo desta nossa luta diária for fazer que eles sejam pessoas íntegras e independentes quando adultos.

Quando minha filha ficar maiorzinha, provavelmente ela irá optar por uma casa ou outra, ou até mesmo quando serão os dias do pai e da mãe. Mas até lá ela já teve a convivência com os dois, já assimilou as referências e a influência de ambos, já tem uma personalidade mais formada, e o que é melhor, formada também pelas experiências que teve com a convivência de ambos os pais.

Links legais


Ótimo site de apoio aos pais, guarda compartilhada e fórum de discussão

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

SE ALGUÉM PERGUNTAR POR MIM DIGA QUE FUI POR AÍ






















Não é frieza. Mas planeje a sua saída de casa. Se você tem grana pra alugar um flat ou apartamento mobiliado (onde a locação é rápida, descomplicada e por períodos menores), faça isso. Mas não se esqueça de ver se autorizam a colocação de redes de segurança nas janelas. Isso é essencial. Tanto para a criança quanto para sua cabeça, que deve andar a mil. Isso te dá tranqüilidade para ver o jogo do seu time na sala enquanto a criança brinca tranqüilamente ou assiste um dvd no quarto dela. É claro que de vez em quando é bom dar uma olhadinha pra ver se está tudo bem. E não pode ser só no intervalo do jogo não. Crianças conseguem fazer coisas improváveis em menos de 5 minutos (se forem hiperativas abaixe esse tempo para 30 segundos).

Atenção: Estar com seu filho ou filha não é estar necessariamente colado a ele ou ela. Nesse momento, logo que saímos de casa, a gente precisa mais deles do que eles de nós. Até certa idade da criança mãe e filho se completam. Se você está sem cabeça pra cuidar de filho nesse momento, tudo bem, pegue ou leve na escola, passe algumas horas no fim de semana. Depois que você estiver estabilizado e acostumado à nova vida tudo vai ser diferente.

Caso você tenha que recorrer a algum amigo ou familiar para passar esse período de purgatório, ou seja, enquanto você não tem seu lugarzinho amado, seu pequeno bangalô, seu cantinho, seu cafofo ou, resumindo: um
LAR, tente pensar em quem seria a pessoa ideal para te dar esse pouso provisório. Mas pense exclusivamente em você. Você é o lado frágil. Você está tentando reconstruir a sua vida. Nada de ir pra casa daquela amiga que está com dificuldades para pagar o aluguel. Morar com mulher agora só no próximo casamento para não perder a graça, nem enjoar. Note que nem cogitei o fato de você ficar com a casa e sua ex sair, pois isso é raro. A não ser que haja um bom motivo. Ela ter outro imóvel disponível e você não, por exemplo. Mulher com filho tem primazia sempre.

Nunca peça para um amigo casado que tem um quarto sobrando em casa para se instalar lá por uns tempos. A não ser que seja por um, dois dias. Além de ser uma péssima companhia para alguém que se separou (afinal você não quer ficar vendo como algumas pessoas são felizes no casamento agora!), tem aquele ciuminho da esposa quando você convida o amigo para um chope, e aquele ciuminho do marido quando você chega em casa primeiro que ele. Ou seja, você pode ser o pomo da discórdia num lar aparentemente feliz. E esse peso na consciência é tudo o que você não precisa.

Casa de mãe também não é a melhor idéia. Ela está casada com seu pai e os dois vão falar disso todo dia na sua cabeça, de como eles passaram por crises e ainda estão juntos, tentando fazer você mudar de idéia, ou até podem lhe dar os parabéns e meter o pau na sua ex lhe contando histórias que até então você não sabia. Se sua mamãe é viúva ou separada vai lhe dar aquele colinho gostoso e aconchegante. Mas o que você precisa agora é de alguém que te ponha pra frente, não fazê-lo voltar ao útero. Caso contrário você poderá ficar lá por anos, tanto por conveniência quanto por chantagem emocional da mamãe que graças a sua presença e a do neto encontrou mais alguma coisa pra fazer além de ir à missa e ver novela. Quanto mais rápido você aprender a se virar sozinho melhor (você já ouviu isso quando estava pra sair da casa de seus pais). E ainda tem a possibilidade da mamãe ter um namorado e filho em casa não seria exatamente o que ela gostaria, mas nunca admitiria. Ou seja, podendo procure outra opção. Mães são para as mulheres que saem de casa. E que voltam. Por outro lado, a casa de seu pai pode ser uma boa idéia desde que ele a ofereça com sinceridade (a gente sabe). Pais separados de pais separados são normalmente ótimas companhias. Por um tempo, claro.

Mais um para você evitar como colega de apartamento é aquele amigo recém-separado como você, perdido como você, procurando restabelecer a auto-estima como você, e que provavelmente tem filhos como você. Tá entendendo né? Nesses momentos os iguais não se ajudam. Eles competem. Ambos estão precisando da companhia de pessoas felizes e bem resolvidas, com aquela paciência de Jó para escutar tudo que você tem pra chorar e de dar conselhos que mal são ouvidos. E ambos estão querendo a atenção das mulheres para recuperar sua auto-estima. Querendo provar pra si e para o outro que não se deixam abater. Fuja léguas. Nem que seja por um dia. Vai perder o amigo se topar.

Nesse momento o que a gente precisa é de um bom amigo solteiro ou separado há tempos. Vá lá, pode ser uma amiga solteira também, principalmente se for lésbica. Uma pessoa legal que respeite seu momento, te acompanhe em algumas bebedeiras e esteja a fim de te ouvir quando você precisar de um ombro, sem te cobrar postura alguma. Provavelmente ele já se separou há tempos e ficou na casa de um amigo e por fim, sobreviveu. Vai devolver a você o carinho que aquele amigo teve para com ele. Vai te contar como foi seu processo com orgulho. Ele não precisa ser necessariamente seu melhor amigo, basta ter um quarto sobrando e esteja tranqüilo para te hospedar por uns tempos. Um mês, ou talvez um pouco mais, é suficiente. É bom que você diga já de cara quanto tempo pretende ficar pra ver se está tudo bem. Quanto à grana, mesmo que esse amigo esteja bem de vida, você que é um cara educado, vai fazer compras de vez em quando, oferecer para ajudar no aluguel ou pagar alguma despesa como a conta de luz ou condomínio. E deixe um presentinho para a casa quando se despedir. A época do ogro mal-educado já passou. Ah, e não seja bagunceiro nunca. Ninguém gosta de bagunça que não a própria. O cara tá te ajudando, esforce-se.

Nesse mês você vai repensar sua vida, alugar um ap, quem sabe até arrumar uma garota. Diga de cara pra ela que você é pai. Existem homens e mulheres que não gostam de conviver com crianças. É um direito deles. E pra nós pode virar um inferno ter que optar sempre por um ou outro.

Não tem nada melhor nesse momento do que uma moça que te ache legal e vice-versa. Nada sério, por favor. A não ser que você seja um marido serial. O ideal é uma ficante bacana e sem muitas demandas. Ou como se dizia mais carinhosamente na nossa época, uma amizade colorida, que pode até virar namoro num momento posterior. Deixe rolar. Você sabe que quanto mais carente, menos aparecem pessoas interessantes no nosso barco. E fuja de mulheres complicadas, quer dizer, muito complicadas.

Quando estiver montando seu ap, invista prioritariamente em uma super-cama, um chuveiro com uma ducha forte e quente e um sofá para a sala bem gostoso . São 3 ítens que vão te fazer sentir como se estivesse em uma suite de um hotel bacana. Geladeiras boas e espaçosas (sem serem modelos de luxo) custam pouco mais que as pequenas e gastam a mesma energia. Música pela casa, do banheiro à cozinha, também ajuda e muito a preencher os espaços vagos de uma súbita mudança de cotidiano. Contratar um canal adulto também é uma boa. Mas ponha uma senha nele.
O quarto de sua criança deve ser montado a partir da opinião e participação dela. Leve-a para comprar a cama, alguns itens de decoração. Ela vai adorar montar seu próprio espaço. Tente fazer com que o ambiente seja clean, com espaços para que ela brinque, leia, estude. Eu sou partidário de TV no quarto da criança. Desde que não fique o tempo todo ligada.


INTRODUÇÃO




















Se você tem a oportunidade de ler essas linhas pouco antes ou pouco depois de ter se separado efetivamente, vai escapar de muita roubada que eu, amigos e conhecidos caímos e que registrei aqui para que nenhum homem passe mais por isso. Do tipo contratar babás novinhas e gostosas, arrumar uma namorada que adora o No kidding! ou alugar um apartamento com um amigo que também acabou de se separar.

Quando saí de casa, fiquei morrendo de medo de minha filha, então com um aninho e meio, esquecer que sou seu pai, de minha ex-mulher ir morar em Fortaleza, de perder moralmente a paternidade para um novo namorado da mãe, de não dar conta de ficar sozinho com minha filha e cuidar bem dela, de ficar triste e sozinho pra sempre num apartamento de dois quartos. A idéia de escrever minha experiência vem desses erros e acertos em busca de uma felicidade pós-conjugal com filhos ainda crianças. Já vi casais que se separaram e na semana seguinte estavam felizes e excitados com o novo momento, brindando juntos a recém-solteirice. Já vi por outro lado até tentativa de suicídio. Entre esses dois extremos estou eu e tantos outros que apesar da dor e do medo querem, no menor tempo possível, passear no shopping sem chorar toda vez que encontram um casal apaixonado com seu filhinho no colo. Enquanto não criarem um remédio contra o ciúme, a incompatibilidade de idéias e objetivos de vida, ou contra o enfraquecimento do desejo, os casais se separarão.

Mas passados alguns meses, no máximo uma dúzia deles, é perfeitamente possível ser um homem solteiro com filhos, vivendo ao máximo o esplendor de nossa idade, experiência, liberdade e responsabilidade. Isso significa ter uma vida normal: tomar conta de nossos filhos, viajar, namorar, sair pra noite, trabalhar, malhar, ter um bom relacionamento com nossa ex. É claro que as crises acontecem. Mas se objetivo é a felicidade dos filhos elas passam.