PREFÁCIO

Quando me separei, em 2005, minha filha tinha apenas um ano e meio. As primeiras postagens falam mais do processo de reconstruir a vida, tanto a vida pessoal quanto a vida de aprendiz de pai sem a presença da mãe. Agora, compartilho algumas descobertas, incertezas, dúvidas e aventuras que aparecem pelo caminho de nós dois. E a cada dia vejo que sou muito sortudo de ter a companhia que tenho.

Bem vindos ao manual do pai solteiro !

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

INTRODUÇÃO




















Se você tem a oportunidade de ler essas linhas pouco antes ou pouco depois de ter se separado efetivamente, vai escapar de muita roubada que eu, amigos e conhecidos caímos e que registrei aqui para que nenhum homem passe mais por isso. Do tipo contratar babás novinhas e gostosas, arrumar uma namorada que adora o No kidding! ou alugar um apartamento com um amigo que também acabou de se separar.

Quando saí de casa, fiquei morrendo de medo de minha filha, então com um aninho e meio, esquecer que sou seu pai, de minha ex-mulher ir morar em Fortaleza, de perder moralmente a paternidade para um novo namorado da mãe, de não dar conta de ficar sozinho com minha filha e cuidar bem dela, de ficar triste e sozinho pra sempre num apartamento de dois quartos. A idéia de escrever minha experiência vem desses erros e acertos em busca de uma felicidade pós-conjugal com filhos ainda crianças. Já vi casais que se separaram e na semana seguinte estavam felizes e excitados com o novo momento, brindando juntos a recém-solteirice. Já vi por outro lado até tentativa de suicídio. Entre esses dois extremos estou eu e tantos outros que apesar da dor e do medo querem, no menor tempo possível, passear no shopping sem chorar toda vez que encontram um casal apaixonado com seu filhinho no colo. Enquanto não criarem um remédio contra o ciúme, a incompatibilidade de idéias e objetivos de vida, ou contra o enfraquecimento do desejo, os casais se separarão.

Mas passados alguns meses, no máximo uma dúzia deles, é perfeitamente possível ser um homem solteiro com filhos, vivendo ao máximo o esplendor de nossa idade, experiência, liberdade e responsabilidade. Isso significa ter uma vida normal: tomar conta de nossos filhos, viajar, namorar, sair pra noite, trabalhar, malhar, ter um bom relacionamento com nossa ex. É claro que as crises acontecem. Mas se objetivo é a felicidade dos filhos elas passam.

9 comentários:

Anônimo disse...

muito bom!
afinal nem só de motherns vive o mundo contemporâneo.
Espero que o blog gere muito mais que um livro, um filme, uma série.
Bjos e felicidades!
paola

Anônimo disse...

Singliving! Não é tão ruim assim. Mas eu compartilho seu medo de perder o afeto, a amizade e a cumplicidade da sua filha. Eu sei que, se um dia eu me separar, vou perder isso tudo, porque não sou o tipo de pessoa que cultiva relações espontaneamente (não é uma opção, é da minha natureza). Não existe nem vai existir "um remédio contra o ciúme, a incompatibilidade de idéias e objetivos de vida, ou contra o enfraquecimento do desejo". Os casais se separarão, sim. A não ser que cultivem o mais virtuoso dos vícios: a mentira. Como disse um amigo meu, everybody lies. Uma mentira bem bolada é como uma criança: difícil de criar, mas o futuro da humanidade depende delas.
Marcus

Aggeo Simões disse...

Adorei a frase. Podia ser o título do post. Valeu amigão.

Anônimo disse...

Aggeozinho, adorei!!! Eu conheço bem a sua luta para ser pai, mas vou discordar de vc. O fato de ser solteiro não exclui o papel do pai nem o afeto na vida das crianças. Somos nós adultos que provocamos este rompimento, por ciúmes, raiva, inveja, vingança, seja lá o que for. São as mães que os afastam ou os próprios pais que se afastam voluntariamente, por qualquer um destes motivos.
Você é MUITO mais pai do que muito cara casado, que convive que o filho diariamente e não dá a menor atenção que os pequenos necessitam. Você e a "ex" são um exemplo de amizade e companheirismo, que fazem e pensam não no casamento desfeito, mas na felicidade da pequena. Eu te admiro demais... Bjo, Gigi!

Ivone disse...

O mais importante no final das contas é vc não esquecer do AMOR que sua filha PRECISA para viver bem e se transformar num ser humano MARAVILHOSO! Fazendo vc se sentir orgulhoso para o resto da sua vida!!

Ivone/ Tutano

Aggeo Simões disse...

Enquanto eu tava casado eu também era menos pai, Gigi.

Fernando Mena disse...

Direto pros meus blogs favoritos!!!

Abração, Aggeo!
Do seu amigo e torcedor F. Mena.

Jannie in Love disse...

Adorei o blog!seguirei com afinco, pq admiro mt pais que não deixam de ser pais, nunca!
Parabens!

Luciana disse...

Fiquei viúva recentemente, mas é ibevitável não me perguntar o que é pior: nunca mais ter o pai da minha filha, mesmo como toda dificuldade que provavelmente seria, para discurtir ou ser assim mesmo, como a situação se impôs: decidir tudo sozinha...
Adorei o espaço, muito obrigada ;-)
Luciana Araújo