PREFÁCIO

Quando me separei, em 2005, minha filha tinha apenas um ano e meio. As primeiras postagens falam mais do processo de reconstruir a vida, tanto a vida pessoal quanto a vida de aprendiz de pai sem a presença da mãe. Agora, compartilho algumas descobertas, incertezas, dúvidas e aventuras que aparecem pelo caminho de nós dois. E a cada dia vejo que sou muito sortudo de ter a companhia que tenho.

Bem vindos ao manual do pai solteiro !

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

DIARIO DE VIAGEM III












Nono dia

Acordamos bem cedo. Uma pequena viagem de barco nos aguarda. Araripe. Um recife de coral que na maré baixa abriga um maravilhoso aquário natural. Uma hora e pouco mar adentro. Ava, que só conhecia os botes e chatas de rio, adorou. Vimos uma revoada de gaivotas, umas 100, voando baixinho para capturarem seu almoço. Quando chegamos, vi que o passeio não seria fácil. Andamos pelo menos uns 500 metros em cima de recifes de corais muito irregulares e escorregadios. Ava, que viu na TV o caso de uma menina que pisou num ouriço do mar, ficou morrendo de medo de pisar em um também. Muita choradeira depois, chegamos. O nosso timoneiro, Carlindo, emprestou pra todos máscaras de mergulho com snorkel. A pequena pegou rápido o jeito de respirar pela boca com o canudo. Nadamos juntos, vendo peixes lindos, corais de formas malucas, siris, tartarugas. Eu nunca tinha feito um mergulho tão legal, com tanta diversidade. Uma hora depois, na volta, o mesmo chororô. Eu e ela apagamos no barco e só acordamos quando já estávamos chegando de volta à Ponta de Santo André. Almoçamos, siestamos, tentamos ver a festa de Iemanjá, mas a pequena tava mais interessada em competir com uma amiguinha daqui quem subia mais rápido na castanheira.

Décimo dia

Já estamos cansados da viagem. Amanhã vamos embora. Ava ficou desenhando a manhã inteira enquanto eu tentava, em vão, uma conexão com a internet para mandar meus trabalhos. Nadamos um pouco no rio e ficamos em casa o resto do tempo. À noite ficamos vendo estrelas. Disse o nome das constelações que eu conhecia e inventamos outras tantas. Por mais que já tenha me acostumado em ser pai, de vez em quando eu fico comovido com certos momentos. Conviver com crianças, além de tudo mais, faz algumas lembranças voltarem intocadas de lugares profundos da memória. E nos faz virar os cicerones do universo.

3 comentários:

RoCosta disse...

São realmente momentos mágicos! :D
Forte abraço!

Nina disse...

...e tudo que li, apesar de lindo, ficou esmaecido frente à beleza da última frase...

Aggeo Simões disse...

È, me senti realmente importante quando vi que estava apresentando tanta coisa pra ela pela primeira vez. Obrigado Nina e Ro.
Beijos