sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Veja 10 dicas de como sobreviver ao seu ex, neste Verão - Matéria de Flávia Azevedo para o correio 24h


O ideal é que a relação seja saudável. Nesse caso, parabéns ao ex-casal! Mas, pode não ser. E aí, vamos combinar um negócio? Neste Verão, quem vai se estressar não é você. Se ele é um “tipinho típico”, este é o pior momento do ano. Nas férias das crianças, intensificam-se as insinuações maldosas, joguinhos e pressões. Só que (quase) tudo se resolve com uma coisa: informação. Sim, tem como virar o jogo.

Veja as dicas da Dra. Mariana Regis. Ela é advogada há 14 anos, especialista em Direito das Famílias. Feminista, atua apenas representando mulheres. É Mediadora de Conflitos e expositora das Oficinas de parentalidade e Divórcio do CNJ.


Fundadora da Rede Nacional das Advogadas Familistas Feministas, capacita advogadas para exercer um trabalho sensível às desigualdades de gênero, enfrentando o machismo nas varas das Famílias. Tá bom pra você? Pra mim, tá. Leia, releia e guarde. Você pode precisar.

1 - Papai quer levar pra viajar

Massa. Se a viagem for dentro do território nacional, tá tranquilo. Quando crianças viajam com um dos pais, não é necessária a autorização do(a) outro(a). Mas precisa, sim, comunicar. Viajou com o pai? A mãe tem que saber onde o filho(a) está. Isso é um direito e não um capricho, portanto, pode cobrar. Se a proposta for para o exterior, a banda toca diferente. Nesse caso, a mãe precisa autorizar formalmente. Aí, você decide, mas cuidado com uma pegadinha: “Há pais e mães que optam por inserir uma autorização prévia de viagem no passaporte da criança, com prazo de até dois anos de validade. Se você tem receio de que o pai leve a criança para fora do país e não retorne ou viaje sem sua autorização, não recomendo esse tipo de procedimento”. Ou seja, leia tudo bem direitinho, antes de assinar.

2 - Pensão durante as férias

Eles esperneiam, questionam, atrasam, fazem cara feia, massss... ligue não. O pagamento é mais do que legal. Você não é uma “golpista” por receber esse dinheiro. Observe: “a pensão alimentícia é devida durante o período das férias escolares, mesmo que a criança/adolescente esteja/viaje com o pai. Aluguel, condomínio, valores ligados ao parcelamento de roupas, sapatos - e até mesmo comida - não deixam de ser cobrados enquanto a criança passa férias com o pai. Por isso, ele deve seguir pagando a pensão na íntegra. Afinal, não é justo que a mãe arque sozinha com o pagamento das despesas fixas contraídas em função da existência e bem-estar do(a) filho(a)”.Óbvio, não é? Apenas faça cara de paisagem e deixe bem pra lá.

3 - O seu atual: é melhor esconder?

Pleno Verão, crianças com o pai, os acordos com o ex ainda não foram assinados, mas você já está vivendo aquele love delícia e merecido? É melhor você se poupar. Divirta-se, mas seja discreta. Resista aos posts apaixonados e guarde esse amor pra você. “Dos primeiros conselhos que, infelizmente, preciso dar às mulheres que acompanho em fase pós-separação é: se está namorando, evite que seu ex saiba, por enquanto. Evite expor em redes sociais”. Segundo Mariana, é comum que as vidas das mães virem verdadeiros infernos quando os ex descobrem que elas estão com novos parceiros. Além da pentelhação clássica, eles costumam endurecer nas negociações. Pra que você quer esse desgaste? Então, amiga, até que esteja tudo amarrado, é boca de siri mesmo. Nesses casos, mais do que nunca, escondidinho é mais gostoso.

Leia mais dicas e matéria completa aqui


terça-feira, 21 de julho de 2015

Amando a humanidade

Acho que ser homem, pai, marido, adulto do sexo masculino já foi mais fácil, mas não tinha graça. Confinados em seus clubes, escritórios, saunas, bordéis, reuniões, os antigos maridos chegavam em casa e davam com a prole dormindinha e esposas exaustas. Eles não cozinhavam, não lavavam, não arrumavam, não tomavam conta de filho, mal limpavam o próprio bumbum sozinhos. Totalmente dependentes das esposas, esses caras devem olhar pra gente com admiração. Microondas, lavadoras de roupas e pratos, supermercados cheios de coisas gostosas, diaristas, aspiradores de pó, telepizza e internet ajudaram na nossa revolução, mas o certo mesmo é que as esposas e namoradas fizeram a revolução delas primeiro, deixando de serem donas de casa para serem donas de seus narizes.

Evolução. Se demora alguns milhões de anos pra que uma mudança morfológica aconteça na espécie, no nosso comportamento, ética, moral, as mudanças podem ser de um dia pro outro. Respeito é a palavra-chave desse momento da cultura masculina. Aos filhos, à mulher, ao diferente, ao que ainda não se entende bem. Se temos respeito e nos colocamos no lugar do outro, podemos dizer que estamos amando a humanidade.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

DE UM PAI SOLTEIRO PRA OUTRO: LUIS SANDER


Autocaricatura: Luis Sander. Cor e cenário: Ava Melillo
Meu caro amigo Luís,
eu, com minha ingenuidade dos 17 anos, te dei a maior força quando você quis engravidar sua namorada para poderem morar juntos, também aos 17. Depois que o Lucas nasceu a gente viu que as coisas não seriam como aquela balada do Culture Club, Love is love. Mas até que não foi tão difícil assim, né? Você e a Lu ralaram, mas criaram dois lindos e talentosos rapazes. Você foi o primeiro cara da minha idade que eu convivi e que era pai. Isso me fez te admirar mais que antes. Eu nunca vou me esquecer do dia em que nós três, deitados comendo pipoca e vendo Fantástico, naquele apartamento do centro que tinha uma bela vista do viaduto Santa Tereza, nos desesperamos com o rompimento da bolsa da Lu e disparamos pra maternidade como se o Terminator estivesse atrás de nós. Marinheiros de primeira viagem. Muitas emoções.
Me inspiro em algumas de suas brincadeiras com o Lucas pra animar a minha pequena. E em como você usava de todos os seus talentos para fazê-lo rir e te admirar. Antes de todo esse papo de guarda compartilhada, você, depois que virou pai solteiro, tinha uma relação intensa com seus filhos, sempre deu tudo pra eles, do brinquedo mais bacana à palavra mais oportuna. Educação. Bom humor. E música. Muita música.
Se você tá fazendo falta pra nós, amigo, imagine pra eles. Mas fica tranqüilo porque o que você daria seria mais do mesmo que sempre deu. Eles já tem tudo de ti. Cara, inteligência e talento. Você fez um trabalho muito melhor do que a maioria absoluta dos pais. E continuará fazendo por conta do que você deixou na memória dos meninos, que tomara, seja tão boa quanto a sua. De elefante.
Rapaz, quando Ava nasceu você foi a primeira pessoa que eu lembrei, porque depois do nascimento do Lucas eu nunca mais tinha dormido em uma maternidade. Quero ser um pai bacana como você sempre foi. E um ótimo ex-marido também. Tarefa que às vezes é difícil, mas é essencial.
Abraço, queridão, o The Police não vai voltar a tocar junto mais.

MINÚCIAS E MIÇANGAS
















É batata. Faça uma pequena busca nos arredores de sua cama ou do sofá onde você e a moça que acabou de sair da sua casa passaram bons momentos juntos e irá encontrar, no mínimo, um anel. Pulseiras, brincos, passadores são constantes também. Junte-se a isso outras coisas (como preservativos) que podem ter caído debaixo da cama. Nada demais se você morasse sozinho. Mas crianças conseguem achar coisas com a mesma facilidade que conseguem perdê-las. Há brincos que parecem balas (olha você correndo pro pronto-socorro) e todo mundo sabe que camisinhas parecem balões (bleargh). É só passar um pente fino nos arredores, trocar sempre a roupa de cama, checar o banheiro, a cesta de lixo, o tapete, debaixo das almofadas do sofá, embaixo da cama.


Quando estou sozinho em casa fico feliz de poder bagunçar o que eu quiser e ninguém se incomodar ou me encher o saco. Viva a solteirice. Adoro chegar em casa e deixar minha roupa no chão da sala, como se eu tivesse me desintegrado. E lá está tudo no lugarzinho que deixei quando acordo. Mas quando a petita está comigo a coisa é diferente. Daí eu viro um freak, catando tudo o que eu julgo perigoso ou indevido para ela.


Atenção redobrada quando alguém for te visitar. Amigos esquecem um uísque pela metade na mesinha de canto e seu filho pode achar que é chá. Um eletricista por exemplo, deixou um canivete em cima da pia do meu banheiro. Foi por pouco que minha filha não o achou antes de mim. Outro dia a empregada esqueceu um daqueles produtos químicos altamente tóxicos no chão da área, e ele ainda por cima era cor de rosa, a cor predileta da minha filha. A gente tem que ter muita atenção e um pouco de sorte para evitar todos os acidentes possíveis. Pense naquelas plaquinhas que ficam em algumas praias: “Deixe apenas saudades e leve apenas lembranças”.

Agora você não tem outra pessoa para dividir esses cuidados.

PAI SOLTEIRO















Nada que remeta por analogia àquele quadro triste da mulher abandonada de barrigão ou perdendo a juventude para cuidar sozinha de sua prole. Pra nossa sorte, mulheres quase nunca abandonam seus filhos. Entenda-se “Pai Solteiro” simplesmente ser pai e solteiro. Nada de divorciado e separado. Essas palavras contém muita história. E implicam logo de cara na existência de um outro, de uma outra vida. Solteiro não. É leve como uma pluma. Ser pai solteiro é ser um pai responsável, carinhoso e autônomo e continuar curtindo a vida de solteiro, além de trabalhar, cuidar da casa, orientar a empregada, fazer compras, etc. sem se esquecer que você tem na mãe da criança uma parceira nessa linda e às vezes cansativa tarefa. O que eu percebi nesses quatro anos de pós-separação é que basta saber dividir seu tempo e dar amor a sua criança. Amor é o que elas mais precisam, e esse amor vem em várias formas: atenção, interesse, carinho, disponibilidade, paciência, limite, cuidado. Mas para que a gente esteja em condições de dar conta disso tudo a gente precisa estar bem. Do que adianta encarar essa maratona de afazeres deixando de lado as coisas que a gente gosta? Pois é. Quanto mais felizes com a nossa vida, mais iremos transmitir essa felicidade aos nossos filhos. Ou seja, tomar conta da gente e nos dar atenção também é uma forma de amar nosso filho. Boa desculpa, né? E é a mais pura verdade. Mas atenção. Não devemos ser pais-solteiros, assim com hífen, o que implica nas duas coisas acontecendo juntas. Hora de ser pai, ser pai, hora de ser solteiro, daí é bagunça, festa, paquera, adolescência tardia e por aí vai. Lembre-se "Mulheres nascem adultas, homens morrem crianças".

Fim de casamento é uma das coisas mais sofridas que já vivi. O fato de um não estar feliz faz o outro sofrer muito, mas quando um começa a buscar essa felicidade sozinho ou com pessoas fora do relacionamento, aí é de matar. Independente de qual lado você está, são poucas as pessoas que saem bem de um casamento. Nesse momento não seja exigente contigo. Faça o que der conta, vá com calma, a nuvenzinha negra vai passar. Teoricamente ninguém quer terminar. Se pudéssemos seríamos tão longevos no casamento quanto nossos avós. Mas como todo mundo sabe, ou acaba o tesão, ou o respeito, ou as duas coisas. E não dá pra viver junto muito tempo sem eles. É isso aí. E é pra frente que se anda.

Aqui falo de várias coisas, desde a mudança para um novo lar até dicas culinárias, coisinhas simples é claro, caso você não tenha a menor intimidade com o fogão. Um macarrão com frango desfiado e creme de leite que é adorado por qualquer criança ou até um prato para surpreender a nova namorada: comidinhas para depois de uma comidinha. Tem também dicas de moda, de comportamento, de paquera, de brincadeiras com seus filhos, ou seja, tudo o que você queria saber sobre o melhor dos dois mundos.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

O MANUAL VIROU LIVRO!

O Manual do Pai Solteiro virou livro pela editora Best Seller - Record. Nas melhores livrarias do Brasil.

Muito obrigado a todos que nos acompanharam e continuam com a gente nessa nova fase. Espero que curtam e deem retorno pelo blog. 






Ótimo presente pro dia dos pais!

quarta-feira, 24 de julho de 2013

DICAS DO MANUAL

Homem tem que ter pegada, é o que elas dizem. Nada mais frustrante quando esperam da gente uma atitude e ...nada. Não conseguimos. Não dar conta desses pequenos privilégios masculinos, que inclui matar barata e pagar a conta no primeiro encontro não é lá muito abonador. A historinha abaixo é pra livrar o pai, homem da casa, chefe de família de um comum embaraço.


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Vamos amar


- Papai, você faz sexo?

Parece lugar comum quando a gente ouve de outros, mas quando aconteceu comigo eu perdi o rebolado.  Pensei em mil respostas e me lembrei de uma música. Procurei a dita no youtube e ficamos nós dois ouvindo e rindo desse jazz de Cole Porter (um dos melhores cancioneiros de todos os tempos) com versão de Chico Buarque (idem), na voz dele e da nossa querida Elza Soares. A música foi mote de um diálogo tranquilo sobre sexo, sobre como estamos todos aqui no mundo e até sobre partenogênese, a forma mais sem graça de fazer herdeiros.


domingo, 2 de junho de 2013

TUDO NOVO DE NOVO

Queridos leitores, o Manual está em nova fase. A partir de agora novas postagens sobre uma outra etapa de nossas vidas: A pré-adolescência de minha filha. Essa momento se adiantou; antigamente vinha lá pelos dez, onze anos. A pequena tem nove, mas desde os sete vem achando que sabe tudo. Acha que sabe mais do que eu, do que a mãe, do que os avós, a professora, e todo o mundo. Sexo, autoridade, sociabilidade, importância das matérias dadas na escola, valores, e outros tantos segmentos do conhecimento humano agora estão em xeque. Manter a minha postura de adulto perante essa nova pessoa abastada de certezas dúbias não é fácil. Sou posto a prova todo dia. A segurança conquistada nesses nove anos de paternidade passou a não adiantar muita coisa. É como se uma pessoa diferente aparecesse em minha vida. É quase um recomeço, quando preciso entender e reconhecer essa pessoinha que se desenvolveu, processou todas as informações que lhe foram dadas e agora eclode. Vida própria. Desafio. Bem vindos ao Manual do Pai Solteiro, fase 2: A pré-adolescência.

terça-feira, 8 de maio de 2012

UMA NOITE INESQUECÍVEL


Depois de vários anos sem ir ao inferninho que adorava, ele fica sabendo que o lugar vai ser reinaugurado depois de uma reforma. Sua mulher entrou no seu Facebook, leu mensagens bastante comprometedoras e ele admitiu que apesar de amá-la e de não tê-la traído, tinha compulsões por aventuras virtuais. Foi expulso de casa. Como antigo habitué e velho conhecido dos proprietários conseguiu duas cortesias. Achou que era apenas uma crise e não viu mal algum em aproveitar a oportunidade.  Levou o amigo que estava lhe emprestando o sofá e demorou pra chegar ao balcão. Lotado. A música péssima, as moças não o notavam e a única pessoa conhecida era seu novo estagiário que o cumprimentou com um aceno. Pediu uma cerveja e recebe uma carta com 40 opções. Sorri pra gatinha ao lado que bebe rindo um ice com energético. Ela da um beijo de língua na namorada e lhe mostra o dedo médio. Ouve uma gargalhada do amigo, mas finge que não é com ele. Enquanto tenta ler a carta de premium beer, na penumbra, relutando em sacar os óculos para presbiopia, cogita a possibilidade de estar fora da faixa etária recomendada para o estabelecimento. Finalmente toca uma música que presta, Bed Is Too Big Without You, do The Police. Já com uma stout amargando a língua, vê um homem mais velho que ele beijando uma garota que parecia bastante com sua sobrinha. Lembra que tem que sair pra fumar, sobe a escada, e vê em contra-luz uma silhueta vindo em sua direção. Quando consegue focar vê sua mulher, ruiva e com um vestido azul-esverdeado maravilhoso.

segunda-feira, 26 de março de 2012

CAZUZA PARA CRIANÇAS

"Nossos destinos foram traçados na maternidade"

Toda vez que ouço esse verso eu lembro de minha filha. Adoro cantar essa música pra ela, na íntegra. E como curto várias do saudoso Cazuza, fiz pra ela essa versão de "Faz parte do meu show"


FAZ PARTE DO MEU SHOW (PRA AVA)

Te levo pra escola e encho a sua bola com todo meu amor
Te levo pra festa da sua amiguinha, compro lápis de cor
Faço promessas malucas tão curtas quanto um sonho bom
Se eu te escondo a verdade, baby, é pra te proteger da solidão
Faz parte do meu show, faz parte do meu show, meu amor

Confundo seus cachos com cachos de uva, com cachinhos de flor
Você, minha filha, mudou minha vida, me lembra um beija-flor
Vago na lua deserta dos bares de Belô
Quando a saudade aperta, ligo só para ouvir o seu alô.
Faz parte do meu show, faz parte do meu show, meu amor

segunda-feira, 19 de março de 2012

DÔDI

Ela era uma boa mãe. Interessava-se pelo desempenho do filho na escola, ia a todas as reuniões, se esmerava na elaboração de uma dieta equilibrada e saudável, ia às peças de teatro infantil premiadas, a filmes que não subestimavam a inteligência das crianças e lia todas as noites, para embalar o sono de seu pequeno, livros que eram elogiados e recomendados por pedagogos. A rotina de mãe solteira somente às vezes lhe era pesada. Ela havia eleito aquele menininho como o homem de sua vida e assim seria. Quando estava em algum projeto mais difícil (abandonou o emprego de horário integral para trabalhar como designer free-lancer em casa) ela virava noites, se entupia de café com guaraná, maquiava as olheiras, mas não furtava de seu filho seu tempo e atenção.

O pai da criança morava nos Estados Unidos e era casado com uma americana que, com chantagens emocionais e financeiras, afastou-o definitivamente do filho brasileiro. O caráter duvidoso do pai, sempre atrás de vida fácil, era a desculpa para que Letícia não se amargurasse. O menino era seu orgulho e ela faria tudo para que ele fosse o oposto do pai: um profissional brilhante e responsável, daqueles que são referência em sua área, que dão palestras e entrevistas. E que, conseqüentemente, teria grande sucesso financeiro. Dinheiro é a recompensa por um trabalho bem feito, nunca deve ser o objetivo principal de alguém decente, filosofava ela. Quando o pai morreu, misteriosamente, Letícia teve um misto de alívio e preocupação. Ela sonhava que o pai de Marquinhos daria uma força para que o menino fizesse faculdade em uma escola americana, possivelmente Harvard.


Um grande pato Donald foi o último presente enviado pelo pai, através de um amigo. O menino instantaneamente se apaixonou por aquele boneco de chapéu de marinheiro que chamava de Dôdi. Dôdi era arrastado, amassado, molhado e vivia cheio de manchas de comida ou coisa pior, por isso dormia todo dia dentro da máquina de lavar. Quando não amanhecia limpo e seco o dia prometia começar mal. Com os anos, Dôdi havia virado não a lembrança do pai, mas um membro inerte da família, tinha lugar fixo na mesa e era mais amado que a avó com alzheimer. Marquinhos não pensava nele como um brinquedo, era seu melhor amigo, dependia dele emocionalmente. Foi às primeiras duas semanas de aula acompanhado de Dôdi até que a professora se cansou de ter que dar beijinhos de despedida naquela pelúcia suja. Para Letícia, Dôdi era como uma mistura do coelho da Mônica com Chuck, o brinquedo possuído. Tinha medo de que ele começasse a falar a noite, contando os detalhes ignorados de sua morte violenta. Agora além de enfiar Dôdi na máquina, dava duas voltas na tranca da porta que separava a cozinha da área.


Depois de ver Toy Story, animação onde os brinquedos têm vida apenas longe dos olhos humanos, Letícia surtou. Aproveitou que Marquinhos não estava tão obcecado pelo boneco - acabara de ganhar um autorama - e entregou Dôdi ao primeiro menino que a abordou no sinal de trânsito. Nessa noite se sentiu como aquelas mães da praça de maio que finalmente enterram os restos mortais do filho. Ao acordar, chorando muito, foi ao quarto de Marquinhos para beijá-lo e tentar diminuir seu remorso. Teve um calafrio e uma dor no peito ao encontrá-lo abraçado a Dôdi. O susto causou
-lhe um infarto tão forte que sequer entendeu que havia tido um sonho.


Alguns anos depois o pai de Marquinhos volta ao Brasil com nome e rosto diferentes. Está milionário por ter conseguido enganar
a companhia de seguros com o apoio de sua comparsa. Procura seu filho e, chantageado pelo avô, que alegava ter gastado muito dinheiro com o menino, diz-lhe que mandara quinhentos mil dólares dentro de um boneco de pelúcia há quatro anos e que provavelmente estavam em alguma conta secreta da falecida.

quinta-feira, 15 de março de 2012

A GUARDA COMPARTILHADA E NÓS


Eu, minha filha e a mãe dela somos uma família diferente. Não moramos juntos mas conversamos todo dia, trocamos idéias quando temos algum problema e falamos dos acontecimentos do dia. Ava mora parte da semana comigo, parte com a mãe. E isso desde que ela tinha 1 ano e meio. No começo muitas pessoas desconfiavam se isso iria ser bom para ela e que optamos pela guarda apenas para que tivéssemos tempo livre, sem pensar no bem da criança. Sabíamos que a troca de informações constante e a sincronia na rotina das duas casas seriam primordiais para que a guarda desse certo. E foi a partir de muita conversa e com um olhar sempre atento para o comportamento e hábitos da nossa pequena que fez com que, seis anos depois, a gente se orgulhasse da decisão que tomamos. Compartilhei nesse blog várias das fases que passamos nesses anos e continuo, de vez em quando, postando alguma coisa que realmente acho que valha a pena. Nesse último ano pouca coisa mudou na nossa rotina e isso acaba refletindo nos posts. Comecei a achar que era tudo muito parecido com o que tinha escrito e dei um tempo. Volto, motivado pela notícia de que a opção pela guarda compartilhada dobrou em 10 anos (de 2000 para 2010), como mostra a reportagem abaixo. Civilidade, respeito, paciência, compreensão, amor. Uma boa relação pós­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­-separação precisa de tudo isso. Momentos difíceis existem, assim como nas famílias convencionais.

O BRASIL APROVOU A GUARDA COMPARTILHADA

Aumenta número de casais com guarda compartilhada dos filhos:

segunda-feira, 16 de maio de 2011

PROGRAMA CASA SEGURA


Um levantamento feito pela Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abracopel) mostra que, no ano passado, 51 pessoas morreram vítimas de eletrocussão em residências. Desse total 19% eram crianças entre 0 e 10 anos. Na indústria, o índice é de 14, deste, apenas um era profissional eletricista.

O caso mais recente aconteceu na cidade de Teresina - PI, neste último dia 11, quando o menino de 1 ano e 3 meses, Davi da Silva Filho, morreu após colocar o dedo em uma tomada, ele havia acabado de sair do banho e estava brincando em um quarto dentro de casa.

Especialistas do Programa Casa Segura afirmam que esse problema poderia ter sido evitado com a instalação adequada de sistema de aterramento e do DR (dispositivo de proteção a corrente diferencial-residual), principalmente utilizado em circuitos elétricos localizados em áreas molhadas. Esse equipamento desliga em milisegundos a energia de equipamentos que apresentem a menos possibilidade de perigo.

O Programa Casa Segura recomenda sete passos bastante simples na manutenção das instalações elétricas para evitar essas ocorrências trágicas:

  1. Faça o aterramento nos circuitos elétricos;
  1. Não utilize benjamins, tomadas em T ou outro tipo de extensões para evitar sobrecarga na rede e possível curto-circuito;
  1. Não utilize instalações elétricas provisórias ou precárias (gambiarras);
  1. Utilize os disjuntores do tipo DR (dispositivo de proteção a corrente diferencial-residual) nos circuitos elétricos, especialmente em áreas molhadas (banheiro, cozinha e lavanderia);
  1. Obedeça as normas da NBR 5410-Instalações Elétricas de Baixa Tensão;
  1. Realize periodicamente manutenção preventiva nas instalações elétricas, pois as instalações possuem vida útil limitada;
  1. Procure um profissional habilitado e credenciado para reparar as instalações.

Facebook: http://www.facebook.com/pages/Programa-Casa-Segura/178833382143614

Veja 10 dicas de como sobreviver ao seu ex, neste Verão - Matéria de Flávia Azevedo para o correio 24h

O ideal é que a relação seja saudável. Nesse caso, parabéns ao ex-casal! Mas, pode não ser. E aí, vamos combinar um negócio? Neste Verão, q...